Política

Entidades contestam declaração de Flávio Bolsonaro sobre etanol

O episódio teve início durante a live semanal do senador no YouTube, realizada na noite de quinta-feira (20)

Por Sputnik Brasil 22/08/2026 07h07
Entidades contestam declaração de Flávio Bolsonaro sobre etanol
Foto: © Foto / Waldemir Barreto / Agência Senado

Seis entidades representativas dos produtores de cana-de-açúcar, etanol de milho e bioenergia do Brasil divulgaram, nesta sexta-feira (21), uma nota de repúdio à declaração do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que comparou o aumento da mistura de etanol na gasolina à chamada 'reduflação'.

O episódio teve início durante a live semanal do senador no YouTube, realizada na noite de quinta-feira (20). Na ocasião, Flávio Bolsonaro afirmou que a proporção de 32% de etanol na gasolina precisaria ser revista em um eventual governo seu. A declaração foi motivada por uma mensagem de um apoiador, que reclamou da qualidade da gasolina: "Muito etanol e só prejuízo". O senador respondeu: "É verdade, é uma coisa que a gente vai ter que discutir aí, essa quantidade de etanol que tem dentro da gasolina".

Em seguida, Flávio comparou o aumento do percentual de etanol à 'reduflação', citando exemplos como barras de chocolate que passaram de 200 para 160 gramas e rolos de papel higiênico que encolheram de 40 para 36 metros.

Em resposta, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), a Bioenergia Brasil, a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA), a União Nordestina dos Produtores de Cana (UNIDA) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA) publicaram uma nota conjunta.

No documento, as entidades classificam a fala de Flávio Bolsonaro como desinformação e afirmam que ela desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob gestões de diferentes orientações políticas.

O texto ressalta que o etanol é um combustível de alta octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros, e destaca que a mistura traz ganhos de desempenho, economia no abastecimento, geração de empregos e contribui para a autossuficiência energética do país no ciclo Otto (motores a gasolina e etanol).

As entidades também enfatizam que a mistura atual foi implementada com rigor técnico, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em diálogo com o setor produtivo e a indústria automotiva. Segundo o comunicado, a conclusão é de plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.

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