Política

Maceió tem taxa de iluminação mais cara do Nordeste, diz governador

Em vídeo publicado nas redes sociais, Paulo disse que a Prefeitura dobrou o valor arrecadado com a contribuição e que o total cobrado dos consumidores deve chegar a cerca de R$ 1 bilhão

Por Blog Edivaldo Junior 21/08/2026 12h12
Maceió tem taxa de iluminação mais cara do Nordeste, diz governador
Paulo Dantas - Foto: Reprodução

O governador Paulo Dantas afirmou que Maceió tem a taxa de iluminação pública mais cara entre as capitais do Nordeste e criticou o crescimento da arrecadação da Cosip durante a gestão de JHC.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Paulo disse que a Prefeitura dobrou o valor arrecadado com a contribuição e que o total cobrado dos consumidores deve chegar a cerca de R$ 1 bilhão entre 2021 e 2026.

“Maceioense, você sabia que paga a taxa de iluminação mais cara do Nordeste? Isso mesmo. O JHC vive de conversa mole, mas, na hora de cobrar taxa de iluminação, ele dá até choque no seu bolso”, afirmou.

O governador também atacou diretamente a política de cobrança da Prefeitura. “A verdade é simples: JHC dobrou o que a Prefeitura arrecada com essa taxa. Enquanto o Estado deixa de cobrar por ano mais de R$ 3 bilhões para gerar empregos e renda, o JHC tirou da população cerca de R$ 1 bilhão só com a taxa de iluminação pública”, disse.

Em alta

Os números confirmam o forte crescimento da arrecadação. Em 2021, primeiro ano da gestão JHC, Maceió arrecadou R$ 124,46 milhões com a Cosip. Em 2022, foram R$ 148,27 milhões.

Depois, a receita passou para R$ 151,57 milhões em 2023, R$ 180,70 milhões em 2024 e R$ 194,32 milhões em 2025. Somados, os cinco anos representam aproximadamente R$ 799 milhões pagos pelos consumidores de Maceió.

Com a previsão superior a R$ 200 milhões para 2026, o total acumulado desde 2021 deve ultrapassar R$ 1 bilhão.

A comparação com 2020 também reforça a crítica feita pelo governador. Naquele ano, último antes da gestão JHC, a Prefeitura arrecadou R$ 98,28 milhões com a Cosip. Para 2026, a previsão supera R$ 200 milhões. Ou seja, a receita mais que dobrou no período.

A Cosip é cobrada mensalmente na conta de energia e serve para financiar a iluminação de ruas, avenidas, praças e demais espaços públicos, incluindo consumo de energia, manutenção, expansão e modernização da rede.

Checando

Maceió é mesmo a mais cara? A afirmação de Paulo Dantas abre uma nova frente de apuração.

Os dados já levantados mostram que Maceió tem uma cobrança elevada, especialmente nas faixas residenciais intermediárias. Mas, para afirmar de forma definitiva que a capital possui a maior taxa de iluminação pública do Nordeste, é necessário comparar os valores atualizados das nove capitais.

Essa comparação precisa considerar não apenas a cobrança mensal, mas também os limites de isenção e as diferentes faixas de consumo.

Em Maceió, por exemplo, a cobrança começa acima de 60 kWh mensais. Para uma residência com consumo entre 101 e 150 kWh, a Cosip representa mais de R$ 400 por ano.

Destino

Para onde vai o dinheiro? Outra questão permanece aberta. Em 2025, a Prefeitura arrecadou R$ 194,32 milhões com a Cosip. Os pagamentos identificados para a Equatorial somaram aproximadamente R$ 43,5 milhões.

Outros cerca de R$ 60 milhões foram pagos à empresa responsável por serviços de manutenção e modernização do sistema de iluminação pública.

A diferença não significa, por si só, irregularidade. A Cosip também pode financiar expansão da rede, equipamentos, pessoal e outras despesas relacionadas ao serviço.

Mas, diante de uma arrecadação que deve passar de R$ 1 bilhão em seis anos, a pergunta continua válida: quanto custa efetivamente iluminar Maceió e para onde vai todo o dinheiro pago pelo consumidor?