Política
Rui Palmeira questiona aporte do Iprev e cobra explicações de JHC
Vereador apresenta documentos sobre aplicação de R$ 117 milhões no Banco Master e levanta dúvidas sobre quem autorizou a operação
O vereador por Maceió e candidato a deputado federal Rui Palmeira (PSD) voltou a questionar a aplicação de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em títulos do Banco Master. Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (20), ele apresentou documentos e atribuiu ao ex-prefeito JHC (PSDB) responsabilidade política pela operação.
Segundo Rui, documentos relacionados à negociação mostram que o processo teve início em maio de 2024, quando o então presidente do Iprev, Ronnie Mota, manteve contatos com representantes do Banco Master. Conforme os arquivos apresentados pelo vereador, a negociação foi concluída em 9 de maio daquele ano.
Ainda de acordo com a documentação citada por Rui, Ronnie Mota elaborou e assinou uma nota técnica favorável à aplicação. O vereador questiona a rapidez com que a operação foi conduzida e afirma que a avaliação de risco teria sido solicitada somente posteriormente pela área de controle do instituto.
Um dos documentos apresentados contém o registro das aplicações previdenciárias e aponta R$ 117 milhões investidos no Banco Master, além de R$ 51 milhões aplicados no fundo Nest Eagle. No arquivo do Ministério da Previdência mostrado pelo parlamentar, JHC aparece no campo destinado ao “representante pelo ente”, em referência ao município de Maceió.
Rui, no entanto, ressalvou que essa identificação, isoladamente, não significa que JHC tenha autorizado pessoalmente o investimento. A partir do documento, o vereador questionou a versão de que a decisão teria sido tomada exclusivamente pela direção do Iprev e defendeu o esclarecimento de toda a cadeia de decisões envolvida na operação.
O parlamentar também citou a relação política entre JHC e Ronnie Mota, que participou da campanha do então candidato a prefeito em 2020 e posteriormente ocupou funções na administração municipal. Para Rui, esse vínculo reforça a necessidade de esclarecer se houve orientação política na aplicação dos recursos previdenciários.
A operação ganhou ainda mais atenção depois que o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, em novembro de 2025. Desde então, a aplicação dos recursos do Iprev passou a ser alvo de questionamentos sobre os riscos envolvidos e a possibilidade de recuperação dos valores.
Documentos judiciais relacionados ao caso registram duas operações com Letras Financeiras do Banco Master: uma de R$ 80 milhões, realizada em dezembro de 2023, e outra aquisição em maio de 2024. As Letras Financeiras não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que aumentou a preocupação em torno da recuperação dos recursos após a liquidação da instituição.
Rui Palmeira defende que sejam identificados os responsáveis pelas decisões tomadas durante o processo e questiona quem teria determinado ou influenciado a aplicação dos recursos do instituto.
“Agora temos os documentos mostrando como a negociação aconteceu, quem participou, quem autorizou o aporte e quem aparece oficialmente, perante o Ministério da Previdência, como representante do ente”, afirmou o vereador.
O caso segue no centro do debate político em Maceió e deve continuar sendo acompanhado à medida que novos documentos e informações sobre a aplicação dos recursos previdenciários forem analisados.
