Política

Lula celebra petróleo de alta qualidade no Amapá e provoca Trump em coletiva

Com uma amostra do óleo em mãos, Lula descreveu o material como "chique" e "cheiroso"

Por Sputnik Brasil com Redação 18/08/2026 06h06
Lula celebra petróleo de alta qualidade no Amapá e provoca Trump em coletiva
Foto: © Foto / Divulgação / Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (17) que há grande expectativa na Petrobras sobre a qualidade do petróleo recém-descoberto no Amapá. Com uma amostra do óleo em mãos, Lula descreveu o material como "chique" e "cheiroso", aproveitando para alfinetar o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Durante coletiva de imprensa no Amapá, após visitar o navio-sonda da Petrobras no Oiapoque, Lula ressaltou que a descoberta pode transformar o futuro do Brasil, destacando a qualidade do petróleo encontrado. Segundo ele, a emoção ao confirmar a localização do poço foi comparável à vivida durante a descoberta do pré-sal.

"Só é possível descobrir quando se investe em pesquisa. Se a Petrobras não tivesse pesquisado, se a Petrobras não tivesse investido muito dinheiro aqui, que alguns que querem vender a Petrobras acham que é custo, isso para nós é investimento. Quando a Petrobras coloca dinheiro para fazer pesquisa e, às vezes, não acha nada, valeu a pena porque pesquisou e, quando encontra, valeu duas vezes a pena."

A Petrobras anunciou na última sexta-feira (14) a identificação de hidrocarbonetos em um poço na bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá. Trata-se da primeira descoberta da estatal na costa amapaense, consolidando a aposta da empresa na Margem Equatorial brasileira.

Lula ainda aproveitou para provocar Donald Trump e mencionar a guerra no Irã, que provocou alta nos preços dos combustíveis.

"Se o presidente Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o estreito de Ormuz, nós vamos [estar] aqui para o mundo inteiro."

O presidente também relatou uma conversa descontraída com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, simulando um pedido de apoio da Petrobras para explorar poços profundos no Golfo do México. Lula defendeu ainda que a estatal busque oportunidades em outros mercados, como o continente africano.

"Liguei para a [presidente da Petrobras] Magda [Chambriard]: 'Magda, vá para o México atender a nossa presidenta [Sheinbaum] para a gente poder ajudar eles a pegar petróleo'. E vamos para a África também. Onde tiver oportunidade, vá. Porque a Petrobras pode ser a mais importante empresa do petróleo do mundo."

Lula também criticou as privatizações de empresas do setor de petróleo, como a BR Distribuidora, e a venda de refinarias para a iniciativa privada. Para ele, tais decisões demonstram má gestão.

"O que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR? Da refinaria da Bahia? Da refinaria do Amazonas? [...] Um país que tem um petróleo dessa qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo nele."

Além de Lula e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, participaram do evento o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre, que recentemente reatou relações com Lula, manifestou apoio ao discurso de soberania defendido pelo governo federal.

"Sob a sua liderança como presidente da República e a trincheira de defesa do Congresso Nacional, nós dizemos de uma vez por todas: deixem que nós, brasileiros, que lutamos pela defesa do nosso Brasil, decidamos o que nós queremos do Brasil."

FUP apoia exploração da Margem Equatorial brasileira

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou nota em apoio à exploração de petróleo na Margem Equatorial. Para a coordenadora-geral da entidade, Cibele Vieira, o declínio da produção do pré-sal reforça a necessidade de diversificar os polos de extração no país.

"A FUP apoia a transição energética, entende que o mundo precisa superar a dependência por petróleo, mas essa dependência não será superada de uma hora para outra. [...] A demanda por energia da sociedade cresce tanto que as novas fontes se somam às fontes já existentes. Ou seja, não haverá uma substituição completa. O que vai acontecer é que a energia fóssil vai diminuindo cada vez mais, proporcionalmente ao nosso uso."

Com informações de Sputinik Brasil