Política
Argentina diz que não responderá a rebaixamento diplomático imposto pelo Brasil
Governo de Javier Milei lamenta decisão do Itamaraty e afirma que manterá relações sem novas medidas
A Argentina afirmou nesta quarta-feira (5) que não adotará medidas diplomáticas em resposta ao rebaixamento das relações com o Brasil. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, durante entrevista coletiva.
Segundo o chanceler, o governo argentino considera a decisão do Brasil unilateral, mas não pretende ampliar a crise diplomática.
"Em toda disputa, todo confronto, são necessários dois. A Argentina lamenta a decisão unilateral do Brasil. Acreditamos que não é o caminho. Do lado nosso, não vai ter nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer", afirmou Quirno.
A tensão entre os dois países se intensificou após novas declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em resposta, o governo brasileiro informou que as relações diplomáticas passarão a ser tratadas em nível de encarregados de negócios.
Em nota divulgada na terça-feira (4), a chancelaria argentina lamentou a decisão brasileira e afirmou que o Brasil estaria se isolando da região por "questões meramente ideológicas". O comunicado também destacou que, em episódios anteriores de divergências políticas entre autoridades dos dois países, a Argentina optou por não transformar as diferenças em incidentes diplomáticos.
O governo argentino informou ainda que o Itamaraty solicitou o retorno do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi. Segundo fontes diplomáticas, o Brasil decidiu que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornará ao posto enquanto Milei continuar fazendo ataques ao presidente Lula.
Com a medida, a Embaixada do Brasil na Argentina passa a ser chefiada pelo ministro-conselheiro Eduardo Uziel, enquanto as relações entre os dois países permanecem rebaixadas.
*Informações de CNN Brasil
