Política

Lula diz que filho responderá à Justiça sem privilégios, se investigado

Lula também comentou uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras

Por Redação 31/07/2026 09h09
Lula diz que filho responderá à Justiça sem privilégios, se investigado
Declarações foram feitas durante entrevista concedida ao podcast Inteligência Ltda - Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (30), que seu filho, Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, deverá responder à Justiça "como o filho de qualquer pessoa" caso seja acusado de algum crime. A declaração foi dada após a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para a abertura de um inquérito que investigará a suposta atuação do empresário em negócios ligados ao Ministério da Saúde.

Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda, Lula afirmou que não pretende buscar qualquer tipo de privilégio para o filho e que ele deverá enfrentar as investigações normalmente, caso sejam comprovadas irregularidades.

"Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta."

O presidente acrescentou que, caso Lulinha seja inocente, contará com seu apoio. Por outro lado, afirmou que o filho conhece as consequências de uma acusação criminal e deverá responder pelos seus atos, se for condenado.

"Ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso, ele jura todo dia. Se for julgado ele virá para cá, não vai ficar escondido não. Vai ter que provar que é inocente. E se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra."

O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, e busca apurar a possível prática dos crimes de tráfico de influência e corrupção. A investigação está relacionada à suposta atuação de Lulinha em favor do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em negociações envolvendo medicamentos à base de canabidiol junto ao Ministério da Saúde.

Segundo a Polícia Federal, há suspeitas de que Lulinha e o lobista tenham mantido relações comerciais no setor da cannabis medicinal. As investigações apontam que Antônio Carlos tentou firmar um contrato milionário com o governo federal em 2024 e 2025, que, segundo o Ministério da Saúde, nunca chegou a ser concretizado.

A defesa de Lulinha criticou a abertura do novo inquérito. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a Polícia Federal não encontrou irregularidades envolvendo o empresário no caso das fraudes do INSS e classificou a nova investigação como uma "pesca probatória".

"Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave."

Em nota, o Ministério da Saúde informou que nunca manteve contratos com a empresa World Cannabis ou com quaisquer acionistas mencionados nas investigações.

"Dessa maneira, nunca fez nenhum repasse de recursos públicos a eles."

Durante a entrevista, Lula também comentou sobre a política internacional e voltou a afirmar que acredita em possíveis tentativas de influência externa nas eleições brasileiras. Ao mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o chefe do Executivo disse não estar preocupado com uma eventual interferência norte-americana no processo eleitoral do país.

"Eu já disse muitas vezes, aqui no Brasil a mentira não vai ganhar [...] Eles vão tentar interferir aqui, tentando ajudar o lado de lá a ganhar as eleições."

O presidente afirmou ainda que mantém uma boa relação pessoal com Trump, mas criticou integrantes do governo norte-americano e reforçou que acredita na soberania do processo eleitoral brasileiro.

"Eu não estou preocupado com isso. Minha conversa, minha relação pessoal com o Trump foi muito boa. [...] Se ele quiser apoiar eleitoralmente, que venha. Agora, nós vamos ganhar as eleições."

O caso segue sob investigação e deverá ser conduzido pela Polícia Federal, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal.