Política

PL desiste de candidatura própria ao Governo de Alagoas e abre caminho para aliança com JHC

Decisão anunciada por Alfredo Gaspar reorganiza o cenário político estadual, retira ações judiciais contra vereadores aliados do prefeito e desenha polarização com o grupo de Renan Filho

Por Redação* 29/07/2026 12h12
PL desiste de candidatura própria ao Governo de Alagoas e abre caminho para aliança com JHC
Alfredo Gaspar - Foto: Assessoria

O Partido Liberal (PL) não lançará candidato próprio ao Palácio República dos Palmares nas eleições de 2026. A definição foi confirmada pelo presidente do diretório estadual da legenda, o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça, e marca uma reestruturação estratégica do partido no estado após a desfiliação do ex-prefeito de Maceió, JHC, que se migrou para o PSDB.

A ausência de um nome encabeçado pela sigla liberal afunila a disputa pelo Poder Executivo alagoano em dois blocos majoritários: o grupo político liderado pelo ex-governador e ministro Renan Filho (MDB) e a pré-candidatura do prefeito JHC (PSDB). Em uma terceira via isolada, a Unidade Popular (UP) oficializou a jornalista Lenilda Luna para a disputa governamental, tendo o psicólogo Jardel Queiroz como vice.

Segundo Alfredo Gaspar, a decisão do PL fundamenta-se na escassez de tempo para a articulação de um projeto de governo competitivo. O professor Henrique Costa, vice-reitor licenciado da Uncisal e um dos quadros cotados internamente para o Executivo, redirecionará a atuação para a disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Distensão jurídica e aceno político ao PSDB

Paralelamente ao recuo na corrida majoritária, a direção do PL formalizou ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) a desistência dos processos judiciais que pediam a cassação dos mandatos de vereadores de Maceió que migraram para o PSDB junto a JHC — entre eles Chico Filho, Eduardo Canuto e Carl Moreira.

A atitude, respaldada sob a justificativa de autonomia partidária, extingue o risco sumário de perda de mandato dos parlamentares e é avaliada no meio político como um gesto deliberado de pacificação entre o PL e o grupo social-democrata.

Bastidores de composição e condicionantes para o vice

Ainda que a cúpula do PL evite chancela pública imediata ao nome de JHC, lideranças internas reconhecem a inclinação do eleitorado e dos quadros do partido em apoiar o ex-prefeito, impulsionados pela oposição nacional ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Contudo, a viabilização de uma coligação formal esbarra na composição da vaga de vice-governador. A eventual indicação de nomes alinhados à esquerda, como o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), cria resistências para a entrada do PL e de legendas como a União Progressista na chapa. Em contrapartida, figurantes de centro-direita como a ex-deputada federal Célia Rocha (PSDB) surgem como alternativas de consenso para consolidar o bloco.

Uma eventual convergência formal entre o PL, o grupo de JHC e a União Progressista garantiria à coligação uma das maiores fatias de tempo de rádio e televisão na propaganda eleitoral gratuita, fator considerado determinante para a dinâmica da campanha.

Com agências.