Política

Lula critica política tarifária dos EUA em artigo no Washington Post

No texto, Lula rebate os argumentos que justificaram as novas tarifas, afirma que as medidas também prejudicam a economia norte-americana

Por Agência Brasil com Redação 27/07/2026 05h05
Lula critica política tarifária dos EUA em artigo no Washington Post

O jornal norte-americano The Washington Post publicou neste domingo (26) um artigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual ele critica a política tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil.

No texto, Lula rebate os argumentos que justificaram as novas tarifas, afirma que as medidas também prejudicam a economia norte-americana e destaca: “O Brasil não será derrotado com base em mentiras”.

O presidente também apontou um viés ideológico na decisão do ex-presidente Donald Trump, alegando tentativa de interferência na política e nas eleições brasileiras deste ano. O artigo, disponível em português, foi divulgado nas redes sociais do presidente.

Segundo Lula, “Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”.

O presidente brasileiro mencionou as declarações de Marco Rubio, secretário de Estado, que em junho excluiu o Brasil do grupo de países considerados amigáveis aos EUA na América Latina.

No artigo, Lula reforçou o argumento utilizado pelo governo brasileiro desde o início das tarifas, em abril de 2025: na relação comercial, os EUA são superavitários. O presidente ainda afirmou que o Brasil buscará novos parceiros comerciais ao redor do mundo.

“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”, escreveu Lula.

Erro estratégico

Em 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo ferro, aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, farmacêuticos, maquinário agrícola e máquinas elétricas não destinadas à aviação, além de outros manufaturados.

O USTR justificou as taxas alegando que práticas brasileiras prejudicavam agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores dos EUA. No artigo ao Washington Post, Lula rebateu: “Além de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil. Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e vários outros produtos chegarão mais caros ao consumidor norte-americano”.

Lula também defendeu a atuação do Brasil no combate ao desmatamento, a legislação nacional para crimes em redes sociais e o Pix, sistema de pagamentos brasileiro — todos pontos criticados recentemente pelo governo dos EUA.