Política
Lula minimiza apoio de Marco Rubio a Flávio Bolsonaro e desafia: 'vamos derrotar todos'
"Este país foi criado e construído por brasileiros [...] Aqui nós erramos por nós. Nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou, nesta segunda-feira (20), um possível apoio do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência nas eleições de outubro.
"Hoje não temos um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil. Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar meu adversário, que venha, que monte o comitê, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país", afirmou Lula durante convenção nacional do PDT, em Brasília.
No evento, o partido oficializou a participação na coligação do PT para as eleições deste ano e declarou apoio à reeleição de Lula.
"Este país foi criado e construído por brasileiros [...] Aqui nós erramos por nós. Nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. Aqui nós decidimos o que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania", completou o presidente.
Ligações da família Bolsonaro com a Casa Branca
No mês passado, Marco Rubio enviou uma carta a Flávio Bolsonaro agradecendo o apoio do senador à decisão dos EUA de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Rubio também elogiou como "generosa" a proposta de Flávio de criar uma equipe de transição com o governo norte-americano, caso seja eleito presidente.
A carta foi uma resposta a questionamentos sobre as tarifas de 25% impostas a produtos brasileiros, após visita de Flávio Bolsonaro ao então presidente dos EUA, Donald Trump. Desde 16 de julho, o Brasil passou a enfrentar a maior carga tarifária entre os países da América Latina. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a sanção comercial deve afetar pelo menos 26% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Após a imposição das tarifas, Rubio usou as redes sociais para responsabilizar Lula pela medida, em gesto interpretado como apoio ao aliado conservador.
No mesmo dia em que os EUA estipularam um mês para negociação das tarifas, em junho, o presidente norte-americano publicou uma foto ao lado de Flávio Bolsonaro no Salão Oval.
As tarifas extras foram justificadas pelos EUA como uma retaliação a práticas consideradas restritivas ao comércio americano, como pagamentos via Pix, comércio digital, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual e decisões sobre plataformas digitais.
O governo brasileiro afirmou que as acusações não têm respaldo nas regras multilaterais do comércio e classificou as sanções como um "marco lastimável" nas relações bilaterais. O país anunciou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e retomará a discussão no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

