Política

Atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA é criticada por falta de defesa técnica

Segundo apuração de um jornal de grande circulação, o setor privado avaliou que o senador não apresentou argumentos econômicos sólidos diante da ameaça comercial

Por Sputnik Brasil com Redação 09/07/2026 12h12
Atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA é criticada por falta de defesa técnica
Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

A participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) gerou frustração entre empresários e analistas, que esperavam uma defesa técnica contra a possível sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

Segundo apuração de um jornal de grande circulação, o setor privado avaliou que o senador não apresentou argumentos econômicos sólidos diante da ameaça comercial. A expectativa era de que Flávio levasse dados sobre impactos nas cadeias produtivas, efeitos para consumidores e prejuízos a empresas norte-americanas.

Em vez disso, o senador adotou um tom político, mencionando corrupção, Pix e cartões de crédito — pontos considerados periféricos ao debate e que demonstraram preocupação eleitoral, não econômica.

Empresários classificaram a intervenção como superficial. Em apenas cinco minutos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado — citou o calendário eleitoral brasileiro e afirmou que impor tarifas agora seria "o pior momento possível", pois o cenário político pode mudar em 90 dias.

No mercado financeiro, a leitura é de que o argumento eleitoral não deve influenciar o USTR, cuja decisão segue critérios técnicos e se baseia principalmente em dados apresentados por empresas e associações setoriais.

Falando à mídia brasileira, Daniel Teles, da Valor Investimentos, avaliou que Flávio buscou se posicionar como interlocutor político com Washington, mas sua intervenção teve impacto neutro no processo. Empresas, segundo ele, têm muito mais peso na decisão do órgão norte-americano.

Para Paulo Bittencourt, da MZM Wealth, a fala do principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do fim do ano foi institucionalmente neutra, mas politicamente negativa para Flávio. Segundo ele, o episódio pode ser explorado por adversários e não deve ampliar o alcance eleitoral do senador do PL.

O ex-ministro Maílson da Nóbrega afirmou que o USTR dificilmente adiará tarifas por causa das eleições brasileiras, embora reconheça a imprevisibilidade do governo Trump. Ainda assim, vê risco político para Flávio caso o tarifaço avance.

Entre interlocutores do mercado, cresce a preocupação de que a medida seja associada a disputas internas no Brasil, permitindo ao governo Lula reforçar o discurso de defesa da soberania comercial e atribuir à oposição — especialmente a Flávio — eventuais prejuízos a exportadores, empregos e preços.

Por Sputinik Brasil