Política
Flávio Bolsonaro chega aos EUA para audiência sobre tarifas e critica gestores
O encontro integra a investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apura supostas práticas comerciais desleais atribuídas ao Brasil
Pré-candidato participa de audiência no USTR para defender suspensão de tarifa imposta a produtos brasileiros e rebate gesto de Lula.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desembarcou neste domingo (5) em Washington, nos Estados Unidos, onde participará de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O encontro integra a investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apura supostas práticas comerciais desleais atribuídas ao Brasil.
A audiência será realizada na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em duas sessões, nos dias 6 e 7 de julho. Flávio Bolsonaro deve participar do painel agendado para terça-feira (7), quando pretende defender a suspensão da tarifa de 25% proposta pelo governo do então presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Na última quinta-feira, Flávio enviou ao USTR um documento solicitando a suspensão imediata da tarifa sobre as exportações brasileiras. Segundo o senador, a medida "recompensaria exatamente os infratores que pretende punir", ao fortalecer politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No pedido, Flávio também solicita que a aplicação das tarifas seja adiada por 180 dias, permitindo que qualquer decisão seja tomada apenas após as eleições presidenciais no Brasil.
Ao chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro criticou o presidente Lula (PT) pelo gesto de mostrar o dedo do meio durante evento no Palácio do Planalto, na última sexta-feira. "Enquanto o atual presidente manda o dedo do meio para o povo brasileiro, eu vim a Washington defender os brasileiros", afirmou.
O gesto de Lula ocorreu durante um discurso em defesa da ampliação do acesso a tratamentos de saúde de maior qualidade para a população de baixa renda. "Precisamos acabar com essa ideia de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles", disse o presidente, ao fazer o gesto.
A proposta de sobretaxação dos produtos brasileiros decorre da investigação do USTR sobre temas como comércio digital, propriedade intelectual e combate ao desmatamento ilegal. A iniciativa de Flávio Bolsonaro de recorrer ao governo americano gerou críticas do Palácio do Planalto. Lula afirmou que a família Bolsonaro busca "se submeter aos interesses dos Estados Unidos" e classificou a atuação da oposição como "entreguista".

