Política

Flávio Bolsonaro pede a Marco Rubio que Brasil seja poupado de novas tarifas

Segundo o senador, a imposição de sanções comerciais adicionais agravaria ainda mais a economia brasileira, afetando diretamente a população

Por Sputnik Brasil com Redação 03/06/2026 06h06
Flávio Bolsonaro pede a Marco Rubio que Brasil seja poupado de novas tarifas
Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

O senador Flávio Bolsonaro enviou nesta terça-feira (2) uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o Brasil seja excluído da proposta de novas tarifas comerciais.

No documento, Flávio argumenta que o país atravessa dificuldades econômicas e fiscais, destacando o aumento da dívida pública, o crescimento da inadimplência e os desafios enfrentados pelo setor produtivo.

Segundo o senador, a imposição de sanções comerciais adicionais agravaria ainda mais a economia brasileira, afetando diretamente a população.

De acordo com publicação do jornal O Globo, a iniciativa de Flávio ocorre em meio a tentativas de se distanciar das novas medidas tarifárias dos Estados Unidos, especialmente após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atribuiu à família Bolsonaro responsabilidade pelas articulações que resultaram nas sanções de Washington contra o Brasil.

"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria, foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som: são traidores. […]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?"

As declarações de Lula e Flávio ocorrem após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) apresentar, na última segunda-feira (1º), uma proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, alegando práticas restritivas ao comércio americano. Na semana passada, Flávio esteve em Washington, onde se reuniu com o ex-presidente Donald Trump e membros de sua equipe.

Segundo o comentarista Gerson Camarotti, do portal g1, a equipe de Lula vê sinais claros de interferência norte-americana nas eleições brasileiras, incluindo a visita de Flávio a Trump, a designação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e a nova tarifa de 25%. O principal articulador dessas ações em Washington seria Marco Rubio.

Também nesta terça-feira, Rubio excluiu o Brasil da chamada "coalizão de países amigos" nas Américas.

"É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão, a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos."

No entanto, o Palácio do Planalto avalia que as ações norte-americanas podem acabar prejudicando Flávio Bolsonaro, já que cresce entre a população a percepção de ligação direta entre o senador e Donald Trump.