Política

Brasil reafirma autonomia para classificar e combater crimes, diz Planalto

Palácio do Planalto também acusou a família Bolsonaro de buscar apoio internacional para uma intervenção estrangeira no país

Por Agência Brasil com Redação 29/05/2026 14h02
Brasil reafirma autonomia para classificar e combater crimes, diz Planalto

O governo federal afirmou nesta sexta-feira (29) que cabe exclusivamente ao Brasil definir como crimes são classificados e combatidos em seu território, por meio de suas instituições, leis e forças de segurança.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto também acusou a família Bolsonaro de buscar apoio internacional para uma intervenção estrangeira no país.

“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, diz o comunicado do Planalto.

O posicionamento é uma resposta à decisão dos Estados Unidos (EUA) de classificar organizações narcotraficantes brasileiras como terroristas. Especialistas alertam que essa medida pode servir de pretexto para intervenções externas no país.

Segundo o Planalto, a decisão dos EUA pode prejudicar o combate ao crime, afetar a economia, o sistema financeiro brasileiro e inovações como o Pix.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida de pessoas inocentes. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias e afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, destaca a nota.

Os EUA têm monitorado o Pix desde 2022, alegando suposta “concorrência desleal” que prejudicaria empresas financeiras americanas.

Família Bolsonaro

Para o governo brasileiro, a família Bolsonaro tenta provocar o ex-presidente Donald Trump a intervir nos assuntos internos do Brasil.

“É deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no episódio do tarifação, que causou tantos danos ao nosso país”, afirma o comunicado.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, encontrou-se recentemente com Trump e pediu ao ex-presidente que classifique grupos narcotraficantes brasileiros como organizações terroristas.

O Planalto ainda classificou como “traidores” aqueles que tentam manipular politicamente o debate sobre o tema.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, ressalta a nota.

Terrorismo

O governo reconheceu que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e outras milícias praticam terrorismo nos territórios onde vivem milhões de famílias.

No entanto, reforçou que não se pode misturar esse tipo de terror, motivado por lucro, com o terrorismo internacional, que tem motivações políticas, religiosas ou ideológicas.