Política

Aliados de Lula acionam TSE para barrar filme sobre Bolsonaro

Grupo ligado ao PT questiona origem de recursos de “Dark Horse” e pede adiamento da estreia por suposto impacto eleitoral nas eleições de 2026

Por Esther Barros 20/05/2026 06h06 - Atualizado em 20/05/2026 06h06
Aliados de Lula acionam TSE para barrar filme sobre Bolsonaro
. - Foto: Reprodução/ Ilustração

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de investigação sobre o financiamento do filme biográfico “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação também solicita que a estreia do longa seja adiada para depois das eleições de outubro.

A representação foi apresentada pelo deputado federal Rogério Correia e pelo grupo Prerrogativas. Segundo os autores, a produção cinematográfica pode ultrapassar o campo cultural e assumir caráter de propaganda política, principalmente diante da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro.

No documento enviado ao TSE, os aliados do PT apontam suspeitas envolvendo a origem dos recursos utilizados na produção do longa, estimado em cerca de R$ 61 milhões. Entre as possíveis irregularidades mencionadas estão lavagem de dinheiro, evasão de divisas e utilização indireta de recursos empresariais para fins eleitorais.

A ação cita reportagens divulgadas pelo theintercept.com⁠ com mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro. Segundo as denúncias, o senador teria buscado apoio financeiro junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o projeto cinematográfico. Parte dos valores, conforme a representação, teria circulado por meio da conta de um advogado ligado à produção.

Os autores da ação também argumentam que a proximidade entre o lançamento do filme e o calendário eleitoral amplia o risco de utilização da obra como instrumento de campanha, por meio de divulgação em cinemas, entrevistas, redes sociais e plataformas digitais.

Como precedente, a representação menciona uma decisão do TSE nas eleições de 2022, quando a Corte suspendeu a divulgação do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, produzido pela brasilparalelo.com.br⁠ durante o período eleitoral.

Aliados de Flávio Bolsonaro reagiram à iniciativa classificando o pedido como tentativa de censura prévia. A defesa compara o caso ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, exibido em TV aberta e realizado com recursos públicos. Segundo esse entendimento, impedir a estreia do filme representaria tratamento desigual entre manifestações culturais ligadas a diferentes grupos políticos.

Até o momento, o Tribunal Superior Eleitoral ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido.