Política
Aliados de Lula acionam TSE para barrar filme sobre Bolsonaro
Grupo ligado ao PT questiona origem de recursos de “Dark Horse” e pede adiamento da estreia por suposto impacto eleitoral nas eleições de 2026
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de investigação sobre o financiamento do filme biográfico “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação também solicita que a estreia do longa seja adiada para depois das eleições de outubro.
A representação foi apresentada pelo deputado federal Rogério Correia e pelo grupo Prerrogativas. Segundo os autores, a produção cinematográfica pode ultrapassar o campo cultural e assumir caráter de propaganda política, principalmente diante da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro.
No documento enviado ao TSE, os aliados do PT apontam suspeitas envolvendo a origem dos recursos utilizados na produção do longa, estimado em cerca de R$ 61 milhões. Entre as possíveis irregularidades mencionadas estão lavagem de dinheiro, evasão de divisas e utilização indireta de recursos empresariais para fins eleitorais.
A ação cita reportagens divulgadas pelo theintercept.com com mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro. Segundo as denúncias, o senador teria buscado apoio financeiro junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o projeto cinematográfico. Parte dos valores, conforme a representação, teria circulado por meio da conta de um advogado ligado à produção.
Os autores da ação também argumentam que a proximidade entre o lançamento do filme e o calendário eleitoral amplia o risco de utilização da obra como instrumento de campanha, por meio de divulgação em cinemas, entrevistas, redes sociais e plataformas digitais.
Como precedente, a representação menciona uma decisão do TSE nas eleições de 2022, quando a Corte suspendeu a divulgação do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, produzido pela brasilparalelo.com.br durante o período eleitoral.
Aliados de Flávio Bolsonaro reagiram à iniciativa classificando o pedido como tentativa de censura prévia. A defesa compara o caso ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, exibido em TV aberta e realizado com recursos públicos. Segundo esse entendimento, impedir a estreia do filme representaria tratamento desigual entre manifestações culturais ligadas a diferentes grupos políticos.
Até o momento, o Tribunal Superior Eleitoral ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido.


