Política

Lula aposta em aproximação com Trump para reforçar imagem pragmática

Presidente busca transformar aproximação com norte-americano em ativo diplomático e eleitoral antes das eleições de 2026

Por Redação com Sputnik Brasil 17/05/2026 11h11 - Atualizado em 17/05/2026 12h12
Lula aposta em aproximação com Trump para reforçar imagem pragmática
Brasil e Estados Unidos negociam tarifas e acordos comerciais após reunião na Casa Branca - Foto: © Foto / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Lula busca transformar sua inesperada aproximação com Donald Trump em trunfo diplomático e eleitoral. Após encontros cordiais e flexibilização de tarifas, o presidente brasileiro tenta projetar pragmatismo, defender a soberania nacional e demonstrar capacidade de dialogar com a direita global sem abrir mão dos interesses do país.

As relações entre Brasil e Estados Unidos passaram por forte oscilação em 2025, após tarifas impostas por Trump a exportações brasileiras e sanções contra autoridades nacionais. A recente mudança de tom decorre de uma reaproximação diplomática conduzida por Lula, que trabalha para restabelecer canais de diálogo em condições de igualdade.

Segundo a mídia norte-americana, Lula tenta usar essa reaproximação como instrumento político e estratégico. Às vésperas de uma eleição competitiva, busca projetar experiência e pragmatismo, mostrando capacidade de negociar com governos ideologicamente distintos sem abrir mão de posições brasileiras em temas sensíveis.

Em entrevista a um jornal de grande circulação nos EUA, Lula afirma que sua relação direta com Trump pode atrair investimentos, evitar novas barreiras comerciais e garantir respeito à soberania nacional. Durante coletiva de imprensa após o encontro com Trump, destacou que mantém divergências claras com Washington em temas como Irã, Venezuela e Palestina, mas que isso não impede a cooperação institucional.

O presidente ressalta que a deterioração das relações no ano anterior ocorreu por falta de respeito à autonomia brasileira.

Lula enfatiza que o Brasil está disposto a dialogar, mas apenas em bases simétricas, distanciando-se do alinhamento automático que marcou a política externa do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023) — hoje preso por tentativa de golpe de Estado.

A aproximação com Trump também tem efeito interno. Após a flexibilização de tarifas e suspensão de sanções, pesquisas indicaram que a maioria dos brasileiros avaliou positivamente a visita de Lula à Casa Branca, interpretando o gesto como defesa da soberania e da capacidade de negociação do país.

Apesar disso, Lula enfrenta desafios domésticos, como inflação de alimentos e combustíveis, polarização intensa e uma disputa apertada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Medidas econômicas e denúncias envolvendo aliados do adversário devem influenciar o cenário eleitoral, segundo a mídia.

No cenário internacional, Lula tenta se posicionar como mediador em crises globais. Suas tentativas de intervir diplomaticamente na Venezuela, Ucrânia e Cuba, porém, encontraram resistência de Washington e dos atores envolvidos, limitando o alcance de sua estratégia.

Lula argumenta que democracias precisam entregar resultados concretos para conter movimentos antissistema e critica o intervencionismo norte-americano na América Latina, rejeitando pedidos de aliados de Bolsonaro para que os EUA classifiquem organizações criminosas brasileiras como terroristas.

O presidente também busca reposicionar o Brasil diante da disputa geopolítica entre EUA e China, afirmando que Washington precisa tratar a região como parceira se quiser recuperar espaço, já que o comércio brasileiro com a China já supera em dobro o comércio com os EUA.