Política

Boulos volta a criticar 'terrorismo econômico' contra o fim da escala 6x1

Segundo Boulos, esses grupos têm resistido à mudança justamente porque ela atinge interesses econômicos relevantes

Por Agência Brasil com Redação 12/05/2026 14h02
Boulos volta a criticar 'terrorismo econômico' contra o fim da escala 6x1

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reiterou nesta terça-feira (12) suas críticas ao que classificou como "terrorismo econômico" promovido por setores poderosos da economia brasileira contra a proposta de fim da escala de trabalho 6 por 1.

Segundo Boulos, esses grupos têm resistido à mudança justamente porque ela atinge interesses econômicos relevantes. "Esses grupos chegam a fazer terrorismo econômico, na tentativa de postergar a votação da matéria no Legislativo", afirmou durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

    De acordo com o ministro, setores contrários à redução da jornada, que garantiria dois dias de folga semanais aos trabalhadores, tentam até impor prazos para a implementação da nova regra. Boulos destacou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apoiará qualquer tipo de adiamento.

    Para ele, ao defender a redução da jornada de trabalho, Lula se posiciona de forma clara contra "um grande sistema econômico". "Mas foi para isso que ele foi eleito", acrescentou Boulos.

    Movimento recorrente

    Boulos afirmou ainda que as críticas à proposta fazem parte de um movimento recorrente sempre que há avanços em direitos trabalhistas, como ocorreu na criação do salário mínimo, das férias remuneradas e do 13º salário.

    "O que existe é um terrorismo econômico brutal nessa história, que, aliás, não é novo no Brasil. Se você observar os arquivos dos jornais de 1940, quando [o então presidente] Getúlio Vargas criou a lei do salário mínimo. Hoje, tem doido para tudo. Alguns até falam em acabar com o salário mínimo. Mas ninguém aceita isso", argumentou.

    O ministro defendeu que o debate seja pautado em dados concretos e citou estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), segundo o qual o impacto médio da redução da jornada para 40 horas semanais seria de cerca de 1% no custo operacional das empresas.

    "Isso é semelhante ao impacto causado pelo aumento real do salário mínimo, algo que ocorreu em todos os governos do Lula. Alguma empresa faliu? Gerou desemprego? Ao contrário, temos o menor índice de desemprego da série histórica no Brasil. A atividade econômica, o PIB, está crescendo como não crescia há 12 anos no país", ressaltou.

    "Você tem muita conversa de terrorismo para querer inviabilizar, e tem pouco fato", completou.

    Boulos reiterou que a redução da jornada traz impactos positivos, como o aumento da produtividade.

    "Não é segredo para ninguém que um trabalhador cansado vai render menos. Tem havido uma explosão de casos de Burnout [síndrome do esgotamento] no trabalho, por ansiedade, depressão, exaustão. No ano passado, 500 mil trabalhadores foram afastados por problemas de saúde mental, por excesso de trabalho", argumentou.

    Mulheres

    Boulos também destacou que a mudança terá impacto direto na vida das mulheres, que frequentemente enfrentam dupla jornada.

    "O homem trabalha na 6 por 1 e tem um dia de descanso. A mulher trabalha na 6 por 1 e não tem nenhum dia de descanso, porque no único dia que deveria ser de descanso, ela trabalha em casa", afirmou, lembrando que as tarefas domésticas acabam transformando o dia de folga feminino em mais trabalho.

    Para o ministro, o fim da escala representa também uma correção dessa desigualdade.