Política
Ministro Santoro alfineta adversários em AL: “narrativas fantasiosas”
Sem citar nomes ou fazer acusações diretas, ele abordou temas que têm provocado forte repercussão no debate político local
O ministro dos Transportes, George Santoro, publicou um artigo (veja aqui) carregado de simbolismos políticos e críticas a adversários em Alagoas. Sem citar nomes ou fazer acusações diretas, ele abordou temas que têm provocado forte repercussão no debate político local.
A publicação começa com uma frase de Graciliano Ramos: “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”
A partir daí, Santoro constrói um texto em defesa da boa gestão pública e da entrega de resultados, mas recheado de referências facilmente identificáveis por quem acompanha a política alagoana.
“Enquanto a população convive com mau cheiro de uma obra mal feita sem observar regras de engenharia sanitária, dinheiro dos servidores sendo aplicado em bancos sem credibilidade, há gestores preocupados em construir narrativas fantasiosas de que tudo deles é gigante, revolucionário e melhor”, escreveu.
Sem precisar citar nomes, o ministro toca em temas sensíveis da política local.
A referência a “bancos sem credibilidade” remete naturalmente às discussões envolvendo o Banco Master. O “mau cheiro de uma obra mal feita” leva o debate para os problemas do Renasce Salgadinho. Já a expressão “narrativas fantasiosas de que tudo deles é gigante” pode ser interpretada como crítica direta ao estilo de comunicação política adotado por adversários.
O texto segue no mesmo tom: “Muito marketing. Muito efeito visual. Pouca prioridade pública.”
E conclui com uma frase que resume o recado político: “Boa gestão não precisa parecer gigante. Precisa funcionar.”
Com habilidade, Santoro usa ironia, sarcasmo e referências literárias para entrar no debate político sem transformar a publicação num ataque aberto. Um movimento calculado, típico de quem conhece o peso das palavras — especialmente quando elas parece.


