Política

Quanto mais se prende, menos se mata em Alagoas? Veja dos números

O Estado era o mais violento do Brasil e a falta de segurança afetava os investimentos, especialmente no setor do turismo

Por Blog de Edivaldo Junior 11/05/2026 12h12
Quanto mais se prende, menos se mata em Alagoas? Veja dos números
Diogo Teixeira, secretário da Ressocialização Social. - Foto: Reprodução

Alagoas vive hoje uma mudança profunda na segurança pública. Em 2013, no ano mais violento da série histórica, foram mais de 2 mil homicídios. O Estado era o mais violento do Brasil e a falta de segurança afetava os investimentos, especialmente no setor do turismo. Hoje, os números são outros. Enquanto os crimes letais despencam, o número de presos cresce de forma acelerada.

Será que existe relação direta entre os dois indicadores? O secretário de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), Diogo Teixeira, acredita que sim.

“Quem fizer coisa errada vai ser preso. Não sei se hoje, amanhã ou depois, mas pense duas vezes”, afirmou o secretário em entrevista ao Blog do Edivaldo Júnior.

Os números ajudam a entender o cenário. Em 2013, auge da violência em Alagoas, o Estado registrou 2.273 mortes violentas intencionais e tinha cerca de 4,3 mil pessoas presas.

Em 2025, os homicídios caíram para 949 — redução de 58,2% — enquanto a população carcerária ultrapassou 15 mil pessoas entre regimes fechado, semiaberto e aberto, segundo a Seris.

A média diária de mortes caiu de 6,2 por dia, em 2013, para cerca de 2,4 em 2026.

Enquanto isso, o encarceramento seguiu na direção oposta.

Em 2005, Alagoas tinha cerca de 2,1 mil presos. Em 2013, eram 4.333. Em 2015, o total subiu para 5.785. Em 2021, chegou a 10.553. Em 2024, alcançou 14.077 presos.

O crescimento supera 570% em menos de 20 anos. E para dar conta, foi preciso criar novas vagas no sistema prisional. “Esse trabalho começou no governo de Renan Filho e avançou no governo de Paulo Dantas, tanto no combate a criminalidade quanto na ampliação do número de presos”, aponta Teixeira.

Mais condenados

Além do aumento do número de presos, mudou também o perfil da população carcerária.

Em 2021, 71,1% dos presos em Alagoas eram condenados e 28,9% provisórios. Em 2024, os condenados passaram para 79,6%, enquanto os provisórios caíram para 20,4%.

Na prática, isso significa mais pessoas efetivamente cumprindo pena e menos presos aguardando julgamento. Segundo Diogo Teixeira, o fortalecimento do sistema de justiça também ajudou a acelerar esse processo.

“O fortalecimento do sistema de justiça, os processos virtuais, a celeridade processual… tudo isso contribuiu. Muita gente pensa que no Brasil não se prende. Prende”, afirmou.

Nova estrutura

O crescimento da população carcerária obrigou o Estado a ampliar o sistema prisional. Segundo o secretário, Alagoas criou 1,5 mil novas vagas apenas durante o governo Paulo Dantas.

Em abril deste ano, o governo inaugurou a nova Cadeia Pública Policial Penal Manoel Messias de Souza Júnior, no Complexo Penitenciário de Maceió.

A unidade tem capacidade para 420 presos provisórios masculinos e recebeu investimentos de cerca de R$ 39,5 milhões com recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) e contrapartida estadual.

O sistema também recebeu reforço em armamentos, equipamentos e estrutura operacional.

“Há mais de dez anos, o policial penal entrava no sistema com um revólver calibre 38. Hoje temos armamento de ponta, treinamento e integração”, disse o secretário.

Como funciona o sistema

O sistema prisional de Alagoas reúne presos em diferentes regimes:

• Fechado: para condenados de maior periculosidade ou penas mais altas;

• Semiaberto: presos que podem trabalhar ou estudar fora durante o dia;

• Aberto: cumprimento com menos restrições e acompanhamento judicial;

• Provisórios: presos ainda sem condenação definitiva.

Segundo a Seris, o Estado mantém hoje controle e monitoramento dessa população prisional, o que reduz a atuação de organizações criminosas dentro e fora das unidades.

Diogo Teixeira defende que esse controle impacta diretamente os indicadores de violência.

“Você controlando o sistema prisional, você impacta diretamente a criminalidade”, afirmou.

Mais presos, menos mortes

Os dados mostram duas curvas opostas. Os homicídios caíram 58% desde 2013. A população carcerária cresceu mais de 570% desde 2005.

A relação entre os dois fenômenos não é automática nem exclusiva. Especialistas apontam que a redução da violência também envolve policiamento, inteligência, integração das forças de segurança e mudanças demográficas e sociais

Mas o caso de Alagoas mostra um movimento claro: o Estado ampliou sua capacidade de prender, julgar, condenar e manter criminosos no sistema.

O resultado aparece nos indicadores.

E ajuda a explicar por que Alagoas saiu do topo da violência no Brasil para um novo patamar de segurança pública.


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