Política

Lula leva cinco ministros a encontro com Trump nos EUA

Segundo integrantes do governo brasileiro, Brasília pretende utilizar o encontro para reforçar as ações de combate a organizações criminosas e ampliar a cooperação com os EUA na área de segurança

Por Sputnik Brasil com Redação 06/05/2026 17h05
Lula leva cinco ministros a encontro com Trump nos EUA
Foto: © AP Photo / Mark Schiefelbein

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta quarta-feira (6) para Washington, onde se reunirá nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Temas como comércio bilateral, combate ao crime organizado e cooperação estratégica devem dominar a agenda da visita.

Segundo integrantes do governo brasileiro, Brasília pretende utilizar o encontro para reforçar as ações de combate a organizações criminosas e ampliar a cooperação com os EUA na área de segurança.

No mês passado, os dois países anunciaram um acordo de cooperação voltado ao combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões realizadas nas aduanas brasileira e norte-americana, com o objetivo de acelerar investigações sobre rotas, padrões e conexões entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

Além da pauta de segurança, o encontro deve abrir espaço para discussões geopolíticas e econômicas, incluindo temas ligados à exploração de terras raras e minerais críticos.

A reunião vinha sendo negociada há semanas pelas equipes diplomáticas dos dois governos e foi confirmada recentemente. A expectativa é que Lula permaneça poucas horas em Washington e retorne ao Brasil logo após o compromisso.

Integram a comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Tensões diplomáticas entre Brasil e EUA

Após se encontrarem em duas ocasiões no ano passado — encontros que resultaram na redução de tarifas contra o Brasil e no fim de sanções econômicas contra o ministro do STF Alexandre de Moraes —, Lula e Trump voltaram a protagonizar divergências nas relações em 2026.

Neste mês, Lula mencionou os embates do norte-americano com o papa Leão XIV, crítico à guerra promovida por Washington contra o Irã. "O Trump não precisava ficar ameaçando o mundo", afirmou na ocasião.

Dias depois, em meio à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado a mais de 16 anos de prisão no Brasil e considerado foragido, os Estados Unidos determinaram a expulsão do delegado brasileiro envolvido na detenção, realizada por autoridades migratórias. O governo brasileiro reagiu retirando as credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que atuava em Brasília.

Mais cedo, o ministro da Fazenda afirmou em entrevista à Rádio Nacional esperar que a visita contribua para "normalizar" as relações entre os dois países, apesar das tentativas de setores da oposição de criar desgaste diplomático.

"A gente não pode admitir que elementos estranhos, que inclusive joguem contra o país, fiquem criando problema para a população brasileira", declarou.

O ministro também destacou que o governo brasileiro pretende reiterar às autoridades norte-americanas que poderá adotar medidas de reciprocidade caso Washington imponha tarifas a produtos brasileiros por motivos políticos.