Política

Ganhar nem sempre importa: esquerda chega chegando na eleição em AL

Laranjas e rabos de chapa entram no jogo para cumprir papel de auxiliar dos caciques

Por Blog de Edivaldo Junior 29/04/2026 13h01
Ganhar nem sempre importa: esquerda chega chegando na eleição em AL
Alexandre Fleming e Lenlda Luna serão candidatos pela UP. - Foto: Reprodução/

Na política tradicional, só a vitória interessa. Laranjas e rabos de chapa entram no jogo para cumprir papel de auxiliar dos caciques. Ajudam na majoritária e na proporcional — e são recompensados, seja com cargos ou recursos.

E se eu te dissesse que ainda tem gente fazendo política por ideologia aqui em Alagoas?

Acredite: ainda tem. Na direita e, especialmente, na esquerda.

As legendas até mudam, mas a lógica é praticamente a mesma. Quem atua por ideologia acredita que é possível mudar o nosso mundinho para melhor pela via da conscientização e do voto. Na teoria, é. E, na prática, já funcionou em muitos lugares do mundo.

Aqui em Alagoas, entra eleição e sai eleição, militantes de direita ou esquerda voltam à disputa para tentar convencer a maioria e, sobretudo, para fazer o debate político. Não é tarefa simples. Enfrentam a máquina da política tradicional - com cargos, emendas, favores e forte influência na mídia e nas redes.

Vale a pena tentar?

O desafio é ainda maior para legendas sem representação no Congresso. Sem tempo de TV, sem fundo eleitoral relevante. Como enfrentar essa estrutura? Para muitos, parece incompreensível ver candidatos indo às ruas mesmo sabendo que não têm, na prática, chances de vitória.

Perdem uma eleição e voltam na outra. Teimosia?

Talvez. Mas ainda bem que tem gente assim. Imagine uma política sem contraponto, sem questionamento, sem quem insista em desafiar o que está posto. Nada mudaria. O sistema seguiria intacto.

No embalo do bolsonarismo, a direita mais ideológica em Alagoas chega com nomes competitivos - alguns já com mandato.

Na esquerda, o cenário é mais fragmentado. Os grupos do Partido dos Trabalhadores que têm melhor desempenho eleitoral operam em uma faixa mais próxima do centro, com trânsito entre forças que estão no poder.

Já os setores mais ideológicos, dentro e fora do PT, têm pouca viabilidade eleitoral. Ainda assim, entram no jogo. É nesse espaço que surge a Unidade Popular.

Mesmo sem estrutura competitiva, as pré-candidaturas de Lenilda Luna ao governo e de Alexandre Fleming ao Senado devem produzir ruído - e não é pouco - no processo eleitoral de 2026.

A UP sabe o tamanho que tem. Não terá tempo de televisão, fundo partidário relevante, nem capilaridade no interior. Ainda assim, entra na disputa com uma estratégia clara: incomodar e provocar o debate.

A lógica não é a da vitória, mas a da disputa de narrativa. Lenilda Luna e Alexandre Fleming devem atuar como vozes dissonantes em um cenário dominado por alianças previsíveis. O alvo principal será o que classificam como hegemonia das oligarquias locais.

Para a UP, os principais grupos políticos do Estado orbitam interesses semelhantes, ainda que em campos distintos. A aposta é explorar essa contradição e questionar a ideia de alternância real de poder em Alagoas.

A campanha será no corpo a corpo, com presença em universidades, movimentos sociais e redes digitais. Um modelo mais próximo do ativismo político do que das campanhas tradicionais.

Segmentos urbanos, jovens, parte da classe média e formadores de opinião devem ser o foco. Não são maioria, mas têm capacidade de amplificar discursos e pautar debates — especialmente nas redes. Se tiverem espaço nos debates, podem crescer.

É nesse ambiente que candidaturas como as de Lenilda Luna e Alexandre Fleming tendem a ganhar visibilidade, ao confrontar adversários e introduzir temas que ficam fora do roteiro das campanhas majoritárias.

Ao levantar questionamentos sobre para quem governar, quais interesses estão em jogo e até que ponto há alternativas reais no cenário local, a UP entra na disputa com um papel claro: tensionar, debater e expor.

Barulho, ao que tudo indica, não vai faltar.