Política

Justiça Eleitoral aperta cerco e barra pesquisas em Alagoas

Decisões recentes apontam falhas metodológicas e reforçam regras para eleições 2026

Por Esther Barros 27/04/2026 05h05
Justiça Eleitoral aperta cerco e barra pesquisas em Alagoas
. - Foto: Reprodução/ Ilustração

A Justiça Eleitoral de Alagoas intensificou a fiscalização sobre pesquisas de intenção de voto e suspendeu três levantamentos distintos nos últimos dias, acendendo um alerta sobre a qualidade e a transparência dos dados divulgados no estado. 

A medida mais recente, assinada no sábado (25), interrompeu a veiculação de uma sondagem que apresentava inconsistências técnicas consideradas recorrentes.

A decisão atingiu a pesquisa registrada sob o número AL-09299/2026, conduzida pelo Instituto DataTrends. De acordo com o processo, o levantamento repetia problemas já identificados anteriormente pela Corte, incluindo falhas no plano amostral e ausência de critérios claros para validação dos entrevistados. Para a Justiça, esse tipo de irregularidade compromete diretamente a formação da opinião pública.

Penalidades e restrições ampliam controle

Além da suspensão cautelar do DataTrends, outras empresas também foram alvo de sanções. A pesquisa AL-03400/2026, do Instituto Veritá Ltda., foi proibida de forma definitiva por decisão judicial, com aplicação de multa superior a R$ 53 mil. Entre os problemas apontados estão o uso de dados genéricos de renda, falhas na distribuição da amostra por regiões e inclusão de perguntas não previstas no registro oficial.

Outro caso envolveu o levantamento AL-05611/2026, da Falpe Pesquisas, suspenso após análise que identificou distorção na representatividade. As entrevistas foram realizadas apenas na Região Metropolitana de Maceió, embora os resultados fossem apresentados como reflexo de todo o estado, o que, segundo o entendimento judicial, compromete a validade estatística.

Interior fora da amostra gera distorções

A exclusão de eleitores do interior foi um dos principais pontos de contestação. Para os magistrados, pesquisas estaduais precisam contemplar a diversidade geográfica e social de Alagoas. A ausência desse recorte pode gerar interpretações equivocadas sobre o cenário eleitoral.

Regras mais rígidas e fiscalização contínua

A legislação eleitoral brasileira estabelece critérios rigorosos para a divulgação de pesquisas. Entre as exigências estão o registro prévio no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), detalhamento completo do plano amostral e transparência no questionário aplicado. O descumprimento dessas normas pode resultar em suspensão imediata e penalidades financeiras.

Com o aumento das decisões judiciais, o cenário em Alagoas evidencia um momento de maior rigor no controle das sondagens eleitorais. Enquanto isso, eleitores e partidos seguem atentos à validade das informações divulgadas, em meio a um ambiente político cada vez mais sensível à influência desses levantamentos.