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Especialistas chineses apontam EUA como fonte de instabilidade global
Os Estados Unidos devem manter práticas de intervenção em assuntos internos de outros países, utilizando pressão excessiva e mecanismos de intimidação comercial e financeira
Os Estados Unidos devem manter práticas de intervenção em assuntos internos de outros países, utilizando pressão excessiva e mecanismos de intimidação comercial e financeira, afirmou Sha Hailin, presidente da Associação de Relações Públicas de Xangai.
Em discurso na Conferência sino-russa do Clube Valdai de Discussões Internacionais, realizada em Xangai, o especialista chinês ressaltou que os conflitos regionais refletem uma disputa por hegemonia, com a geopolítica servindo ao controle financeiro e as sanções econômicas impostas pelos norte-americanos sendo motivadas por interesses políticos.
"Não há dúvida de que os Estados Unidos, lutando pela hegemonia predatória hoje, se tornaram uma fonte de caos no mundo, prejudicando e colocando em risco os recursos", afirmou Hailin.
Segundo ele, Washington enfrenta uma situação ambígua: a Casa Branca precisa superar desafios políticos e econômicos alterando regras vigentes, mas evita modificar a conjuntura atual, em que capital e poder político estão profundamente entrelaçados.
Sha Hailin também destacou a importância da parceria entre Moscou e Pequim, afirmando que, enquanto Rússia e China permanecerem unidas, não precisarão temer pressões ou provocações externas.
"Atualmente, tanto nos assuntos regionais quanto na governança global, China e Rússia compartilham consenso estratégico na maioria dos casos, mantêm cooperação próxima e permanecem firmes na defesa das regras e da ordem internacionais", completou.
Na mesma conferência, Chen Wenling, pesquisadora do Centro de Estudos Russos da Universidade Pedagógica do Leste da China, avaliou que os Estados Unidos buscam transformar o Hemisfério Ocidental em seu "quintal", visando afastar Rússia e China da região.
"Embora o relatório da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA fale sobre a retirada para o Hemisfério Ocidental, ele sugere duas prioridades: 'Hemisfério Ocidental primeiro' e 'América primeiro'. Acredito que a prioridade 'Hemisfério Ocidental primeiro' significa essencialmente 'América primeiro'", explicou Chen Wenling.
Ela acrescentou que essas prioridades não representam um recuo dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, mas sim o objetivo de transformar toda a região em seu território de influência, consolidando-se como o maior império da América do Norte.
"Assim, acumularão forças para atacar principalmente China e Rússia globalmente, expulsando-os do Hemisfério Ocidental, e depois adotarão uma estratégia de equilíbrio de forças na Ásia, Europa e África para conter especialmente a China", concluiu Chen.
A Conferência do Clube Internacional de Discussões Valdai e do Centro de Estudos Russos da Universidade Pedagógica do Leste da China acontece em Xangai, com cerimônia de abertura realizada em 27 de abril e participação de mais de 40 especialistas russos e chineses.


