Política

Lula pede mobilização das centrais sindicais pelo fim da escala 6x1

Os dirigentes participaram, nesta quarta-feira (15), em Brasília, da “marcha da classe trabalhadora” na Esplanada dos Ministérios

Por Agência Brasil com Redação 16/04/2026 06h06
Lula pede mobilização das centrais sindicais pelo fim da escala 6x1

No dia seguinte ao envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais e o fim da escala 6x1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, 68 reivindicações de representantes das centrais sindicais. Os dirigentes participaram, nesta quarta-feira (15), em Brasília, da “marcha da classe trabalhadora” na Esplanada dos Ministérios.

Durante o encontro, Lula enfatizou a necessidade de mobilização e pressão dos trabalhadores para garantir a aprovação da proposta enviada ao Congresso.

“Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de lutar pelos trabalhadores que representam”, afirmou o presidente. Lula ressaltou que o momento é desafiador: “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”.

Burnout e origem do projeto

No evento, Lula homenageou o ativista e ex-balconista Rick Azevedo, criador do movimento Vida Além do Trabalho, que inspirou o projeto de redução da jornada. O presidente sugeriu que, se a lei for aprovada, ela leve o nome do ativista. Azevedo relatou que sofreu burnout e depressão devido ao excesso de trabalho e pouco descanso: “Em 13 de setembro de 2023, eu falei: ‘chega’. Então postei um vídeo no TikTok denunciando esse modelo de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de folga. O vídeo viralizou”, contou.

Críticas a retrocessos

Lula aproveitou o encontro para criticar as reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), que considera retrocessos para os trabalhadores. O presidente alertou ainda para a existência de grupos no Brasil que defendem reformas semelhantes às implementadas na Argentina, como a ampliação da jornada para até 12 horas diárias.

Momento de transformação

As centrais sindicais celebraram o envio do projeto que prevê o fim da escala 6x1. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, destacou que a medida pode gerar até 4 milhões de empregos. Para ele, o Brasil tem potencial para se reinventar com uma nova indústria sustentável e alertou para o risco da pejotização — contratação de profissionais como pessoa jurídica para funções típicas da CLT.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, também defendeu a manutenção dos direitos e a redução da jornada, ressaltando que a marcha mobilizou mais de 20 mil trabalhadores. “É mais tempo para a família, para a saúde, para o lazer, para estudar e para a pessoa”, afirmou.

Transformações e desafios futuros

Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, explicou que as 68 reivindicações apresentadas ao presidente abrangem os próximos cinco anos e refletem as profundas transformações no mundo do trabalho, impulsionadas por mudanças tecnológicas. “Mulheres e jovens serão os mais impactados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica, segundo a OIT. Também temos a mudança climática e a emergência ambiental impactando o trabalho”, destacou.

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, ressaltou a importância de proteger trabalhadores por aplicativo e entregadores: “É fundamental se preocupar com a vida, com a saúde e com a juventude, que representa o futuro do nosso país”.