Política
Klécio não é candidato a nada, mas é alvo de ataques que atingem Pindorama
A especulação surgiu após sua filiação ao MDB, em 30 de março dese ano
O presidente da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos, voltou a desmentir a narrativa que circula nos bastidores políticos e em parte da imprensa alagoana: a de que estaria articulando uma candidatura à Câmara Federal em 2026. Não é candidato. Nem será.
A especulação surgiu após sua filiação ao MDB, em 30 de março dese ano. Não foi o caso. Segundo o próprio Klécio, trata-se de um gesto político, sem vínculo com disputa de mandato.
O nome dele, no entanto, insiste em aparecer em anos eleitorais — muito mais pelo peso que tem na economia e na política do Estado do que por disposição pessoal de concorrer.
Agora, passou a ser alvo de críticas: teria dado “rasteira” em Marx Beltrão e estaria usando uma suposta candidatura para esconder problemas financeiros na cooperativa. Nem uma coisa, nem outra.
Pindorama, em Coruripe, não se tornaria referência internacional sem a gestão construída ao longo das últimas décadas.
Trajetória
À frente da cooperativa desde 1998, Klécio assumiu em um momento crítico, reorganizou a operação e garantiu a retomada da moagem já na safra 1998/1999.
De lá para cá, a Pindorama deixou de ser uma estrutura limitada a etanol e sucos para se transformar em um complexo industrial diversificado, com 17 unidades produtivas.
Hoje, reúne mais de 1,2 mil cooperados, cerca de 2 mil empregos diretos e faturamento superior a R$ 1 bilhão por ano.
Isso ajuda a explicar por que o nome de Klécio ultrapassa a economia e entra, inevitavelmente, no radar político.
Crise e narrativa
O pano de fundo da controvérsia é econômico. A safra 2025/2026 trouxe dificuldades para todo o setor sucroalcooleiro em Alagoas, com queda de preços e pressão de custos. Pindorama também sente os efeitos.
A divulgação de um suposto endividamento na casa de R$ 520 milhões passou a ser usada para questionar a gestão. O número é elevado, mas precisa ser analisado dentro do porte da operação. Empresas desse tamanho operam com estruturas financeiras robustas, o que, isoladamente, não indica colapso.
No setor sucroenergético alagoano, a dificuldade é generalizada. Usinas enfrentam retração de receitas e reorganizam seus fluxos de pagamento — movimento que também ocorre na Pindorama. Não é a primeira vez. Desde 1998, a cooperativa atravessou crises e conseguiu superá-las.
Leitura política
É nesse ambiente que surge a versão de que Klécio estaria tentando “esconder” problemas por meio de uma candidatura.
Não há sinais concretos disso. Ao contrário. Não há montagem de estrutura política nem movimento compatível com uma disputa federal.
O histórico recente também relativiza a tese de rompimento. Em 2022, Klécio apoiou Marx Beltrão em um cenário político distinto. De lá para cá, as alianças mudaram — como costuma acontecer na política alagoana. Nada fora do padrão.
O momento
À frente de uma das maiores cooperativas do país, em um cenário adverso para o setor, a prioridade de Klécio é a gestão. E não a eleição.
Há questionamentos sobre a condução da cooperativa — legítimos dentro do atual contexto econômico. Mas a tentativa de vinculá-los a uma candidatura que não existe, até aqui, parece mais ruído do que fato.
Por ora, ele segue onde sempre esteve.
No comando da Pindorama. E fora da disputa eleitoral.

