Política
Allan conseguiu: Plano Diretor chega à Câmara após 11 anos de atraso
A chegada do Plano ao Legislativo tem a marca da insistência do vereador Allan Pierre (MDB)
Demorou, mas chegou. Após 11 anos de atraso, o novo Plano Diretor de Maceió foi finalmente entregue à Câmara de Vereadores por JHC. O envio, no sábado 4 de abril, num dos últimos atos da gestão do ex-prefeito, encerra uma pendenga que se arrastava desde 2015 e abre, de fato, o debate sobre o futuro urbano da capital.
Não foi por acaso.
A chegada do Plano ao Legislativo tem a marca da insistência do vereador Allan Pierre (MDB), que ao longo dos últimos meses pressionou publicamente, cobrou nos bastidores e manteve interlocução direta com a Prefeitura e com o Iplan para acelerar o envio da proposta. Conseguiu. Essa é a primeira vitória. Mas está longe de ser a principal.
Agora começa a discussão do conteúdo. E, sobretudo, a capacidade de transformar um documento técnico em algo compreensível para a sociedade.
Allan mostra o caminho. Para ele, o debate não pode ficar restrito ao plenário ou aos especialistas. Precisa ganhar as ruas.
“São 21 anos esperando que o Município de Maceió envie o Plano Diretor para a Câmara Municipal, e estamos com essa oportunidade de promover um diálogo ouvindo sociedade civil organizada, setor produtivo, comunidades, e com prioridades na fiscalização urbana e ambiental. Este Plano terá validade por dez anos, e por isso, precisa ser participativo”, afirmou.
O Plano Diretor é o instrumento que define como a cidade cresce, onde pode crescer e sob quais regras. É ele que orienta desde grandes empreendimentos até a ocupação de áreas sensíveis, como o litoral e regiões de risco.
Sem atualização, a cidade cresce no improviso. Com atualização, passa a ter direção. O problema é o tempo perdido. O plano vigente foi aprovado em 2005. A revisão deveria ter sido concluída em 2015. Não foi.
Nesse intervalo, Maceió mudou — e muito.
“São 11 anos de atraso. A cidade mudou completamente nesse período. Bairros inteiros desapareceram, tragados pelo crime ambiental da mineração. O plano precisa traduzir essa nova realidade e contemplar todos os setores da sociedade. Não podemos permitir que o poder econômico se sobreponha aos interesses populares”, defende Allan Pierre.
O texto que chegou à Câmara é apenas o ponto de partida. A condução do debate, a escuta da sociedade e a construção de consensos vão definir o resultado.
O presidente da Comissão de Assuntos Urbanos, vereador Marcelo Palmeira, já indicou que o tema será tratado com prioridade. “O realinhamento das questões urbanas é um tema necessário e urgente. Tenhamos a paciência e maturidade para entregar um resultado positivo à sociedade”, afirmou.
O Plano Diretor saiu da gaveta. Agora precisa sair do papel e contemplar a população. Não o poder econômico. Essa será a prova mais difícil.

