Política
PT evitou implosão da chapa de estadual; agora desafio é a majoritária
O temor era a saída de nomes e perda de equilíbrio na montagem
Na reta final da janela partidária em Alagoas, na sexta-feira, 3 de abril, Federação Brasil (PT, PV e PCdoB) passou por um teste de fogo. Literalmente. No último momento, o PT conseguiu barrar a filiação do ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves, e da deputada estadual Gabi Gonçalves.
A articulação foi liderada pelo presidente estadual do partido, Ronaldo Medeiros, e se contrapôs a uma movimentação do deputado federal Paulão, que tentava viabilizar a entrada dos dois nomes via direção nacional, em Brasília.
Deu certo.
A avaliação interna é de que, caso a filiação fosse confirmada, havia risco real de desorganização da chapa de deputado estadual. Havia risco de implosão. O temor era a saída de nomes e perda de equilíbrio na montagem.
Virada a página, a expectativa é de eleger até quatro deputados estaduais. Isso porque, ao fim da janela, a federação dobrou de tamanho na Assembleia Legislativa, passando de dois para quatro deputados. O dobro da eleição de 2022.
Além dos quatro deputados estaduais que integram a federação — Ronaldo Medeiros, Silvio Camelo, Marcos Barbosa e Breno Albuquerque — “outros candidatos também entram na disputa por vagas”.
Majoritária
Com a chapa de estadual resolvida, o PT deve começar a discutir internamente como vai participar da aliança dentro do grupo do governador Paulo Dantas. O apoio para Renan Filho (governo) e Renan Calheiros (Senado) já é dado como certo. Mas tudo indica que o partido vai querer participar das discussões para formação do restante da chapa majoritária.
Dificuldades
Mas o avanço na chapa estadual contrasta com as dificuldades na disputa federal. A federação não conseguiu montar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados. As articulações foram conduzidas por Medeiros, Paulão, aliados de outros partidos e da direção nacional - mas tiveram pouco tempo de maturação.
O processo só ganhou tração no fim de janeiro, após Paulão desistir da candidatura ao Senado e optar pela reeleição.
Houve tentativas de atrair nomes com potencial de voto, como o deputado federal Daniel Barbosa e o ex-deputado Nivaldo Albuquerque, mas nenhuma avançou.
Com isso, a chapa será formada basicamente por nomes do próprio partido ou alternativas ainda em construção.
Nada de novo
Historicamente, o PT de Alagoas enfrenta dificuldades para montar chapas para a Câmara dos Deputados. Em pleitos anteriores, a eleição de Paulão se deu em coligações com o MDB. Em 2022, o PV foi responsável por cerca de 70% dos votos da chapa da federação. Com a saída de Luciano Amaral, a federação perdeu força.

