Política
Tensão marca a chegada de novos deputados na Federação Brasil em AL
Nos bastidores, o clima é de pressão e ajustes de última hora
A poucos dias do prazo final de filiações, a federação Brasil (PT, PV e PCdoB) vive uma fase intensa — e imprevisível — da montagem das chapas em Alagoas. Muita coisa já mudou.
E, até o dia 4, pode mudar ainda mais.
Nos bastidores, o clima é de pressão e ajustes de última hora. O deputado Ronaldo Medeiros segue à frente das articulações pelo PT, especialmente na tentativa de montar uma chapa competitiva para deputado federal. Mas enfrenta dificuldades.
O principal entrave foi a tentativa de filiação do deputado federal Daniel Barbosa ao PT, que não avançou. Sem reforços externos, a chapa federal perde densidade. Ao mesmo tempo, decisões internas também limitaram alternativas.
O deputado federal Paulão não aceitou a possibilidade de disputar a reeleição pelo MDB. E, segundo relatos de bastidores, também não teria aceito a filiação do ex-deputado federal Nivaldo Albuquerque ao PV — uma articulação que, na avaliação de aliados, poderia ajudar a viabilizar pelo menos uma vaga na Câmara Federal.
Sem apoio mais efetivo de aliados do MDB, como ocorreu em outras eleições, o PT passou a trabalhar com um plano B.
A estratégia agora é montar a chapa federal com nomes do próprio partido e reforços pontuais de última hora. Medeiros ainda aposta em novas filiações, com apoio de lideranças estaduais.
E é nesse ponto que surge a principal reviravolta.
A federação, que até então contava com dois deputados estaduais — Ronaldo Medeiros e Silvio Camelo —, pode dobrar esse número. Os deputados Marcos Barbosa e Bruno Albuquerque já teriam encaminhado filiação ao PT, ampliando o peso político da chapa.
Com quatro parlamentares no grupo, a federação melhora a distribuição de votos na disputa proporcional. A expectativa interna já foi revista: a projeção mínima passa a ser de três vagas, com possibilidade real de chegar a quatro.
Setores históricos do PT ainda demonstram desconforto com algumas dessas movimentações, sobretudo pela entrada de novos nomes em um espaço tradicionalmente mais fechado. Ainda assim, a avaliação predominante é pragmática.
É preciso montar uma chapa competitiva.
Outros nomes podem reforçar a federação até o prazo final. Entre os cotados estão Tarcísio Freire e Ceci Hermann, que seguem em negociação. Cada partido está cuidando de suas próprias filiações. Os nomes depois serão apresentados na convenção.
Enquanto isso, a montagem segue aberta. E sob tensão. A federação entra na reta final vivendo seu momento mais decisivo — tentando equilibrar identidade política, viabilidade eleitoral e acordos de última hora. Se vai dar certo, ainda é cedo para dizer. Mas uma coisa é certa: o cenário hoje já é bem diferente do que era há poucos dias e provavelmente do que será amanhã.


