Política

No PSDB JHC ganha força e terá liberdade para disputar cargo que quiser

Pelo menos nove vereadores que estavam no PL já migraram, ou estão em processo de migração para o PSDB

Por Blog de Edivaldo Junior 01/04/2026 08h08
No PSDB JHC ganha força e terá liberdade para disputar cargo que quiser
JHC deixou o PL e agora é o novo presidente do PSDB em Alagoas - Foto: Assessoria

A filiação de JHC ao PSDB foi além de uma simples mudança de sigla. O partido, que até então tinha presença discreta no estado, passa a reunir o prefeito da capital, uma senadora da República e uma base em expansão na Câmara de Maceió. E pode ganhar novos reforços nos próximos dias.

Pelo menos nove vereadores que estavam no PL já migraram — ou estão em processo de migração — para o PSDB. Parte desse grupo deve disputar as eleições de 2026, compondo chapas proporcionais com potencial competitivo tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara dos Deputados.

O secretário de Governo de Maceió, Júnior Leão, aposta em uma chapa forte para federal. “Se a Marina for candidata, podemos fazer dois deputados”, projeta. A avaliação é compartilhada por aliados, que veem na primeira-dama um nome com forte apelo eleitoral.

Outros nomes também entram no radar. Empresários. Vereadores. Deputados. E lideranças em construção.

O PSDB deve montar chapas completas, com equilíbrio entre densidade eleitoral e capilaridade política. A meta é deixar de ser coadjuvante e entrar no jogo com protagonismo.

Mas o movimento vai além da nominata. Passa pelo comando.

Ao assumir a presidência estadual e vice-presidência nacional do PSDB, JHC recebeu do presidente da legenda, Aécio Neves, o que buscava desde o início das articulações: autonomia. “Você terá liberdade para conduzir o partido nas eleições de Alagoas”, teria ouvido ele de Aécio.

Liberdade. Sem amarras. Com esse sinal verde, JHC assume a presidência do PSDB em Alagoas e começa a estruturar uma frente política mais ampla. Além do PSDB, já conta com o Podemos e o DC — este último presidido por seu pai, João Caldas. O Podemos está sob o comando do seu vice, Rodrigo Cunha. E o plano é avançar.

Vai buscar mais. E, nos bastidores, a leitura é que conseguirá. A definição sobre a candidatura ainda não foi anunciada, mas o cenário aponta para o governo como caminho preferencial. O Senado permanece como alternativa, a depender das composições e do desenho final da chapa majoritária.

No núcleo familiar, as possibilidades seguem abertas. A senadora Eudócia Caldas pode disputar a reeleição, uma vaga na Câmara dos Deputados ou até compor outro arranjo. As decisões devem ser tomadas nos próximos dias. Quanto a Marina, pode ir para a Câmara dos Deputados ou para o Senado.

Novo patamar

No pano de fundo, há um elemento político que não passa despercebido. A consolidação de JHC no PSDB, com comando e autonomia, é vista por aliados como uma vitória relevante no embate com o grupo do deputado Arthur Lira.

Na prática, muda o jogo. Ao garantir um partido para chamar de seu, o prefeito se livra da pressão que enfrentava no PL e passa a ditar o próprio ritmo. O que antes era tensão interna agora pode evoluir para confronto aberto. Sem intermediários. E sem cabresto.

Se antes havia tentativa de alinhamento, agora o cenário aponta para independência — e, possivelmente, para um novo capítulo na política de Alagoas, com antigos aliados em campos opostos.