Política

Banco Master: Alckmin cobra investigação rigorosa e punição a envolvidos

Vice-presidente afirma que governo garante liberdade total à Polícia Federal para apurar fraudes bilionárias que atingiram investidores e instituições

Por Esther Barros 11/03/2026 07h07 - Atualizado em 11/03/2026 08h08
Banco Master: Alckmin cobra investigação rigorosa e punição a envolvidos
Alckmin defende apuração rigorosa no caso Master - Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu uma apuração profunda e punições severas para todos os envolvidos no escândalo financeiro que envolve o Banco Master. O caso, que provocou prejuízos bilionários a investidores e instituições públicas e privadas, está sendo investigado após alertas do Banco Central do Brasil.

A declaração foi feita durante entrevista ao apresentador José Luiz Datena, na estreia do programa Na Mesa com Datena, exibido na noite desta terça-feira (10) pela TV Brasil. Na conversa, Alckmin afirmou que irregularidades dessa dimensão não surgem de forma repentina e que as investigações precisam identificar todos os responsáveis.

Segundo ele, as suspeitas apontam que o problema teria raízes antigas e que já existem indícios de envolvimento de pessoas que deveriam atuar na fiscalização do sistema financeiro. Para o vice-presidente, é fundamental que a apuração avance com rigor para esclarecer os fatos e garantir punições adequadas.

Alckmin também destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido posição clara de não interferência nas investigações. De acordo com ele, órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário têm autonomia total para conduzir o caso e responsabilizar quem estiver envolvido.

As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras de grande escala dentro do Banco Master. O caso teria provocado um rombo estimado em até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos, utilizado para ressarcir investidores prejudicados.

Na semana passada, o financista Daniel Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal durante a terceira fase da operação. O empresário já havia sido alvo de um mandado de prisão em etapas anteriores da investigação, mas havia obtido liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica. A nova prisão ocorreu após a análise de mensagens encontradas no celular apreendido na primeira fase da operação, nas quais ele supostamente ameaça jornalistas e outras pessoas.

Durante a entrevista, Alckmin também comentou sua saída do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Ele confirmou que deixará o cargo no dia 2 de abril para cumprir a exigência da legislação eleitoral, que determina o afastamento de ministros que pretendem disputar cargos públicos nas eleições de outubro. Apesar disso, ele continuará exercendo a função de vice-presidente da República.

O vice-presidente ainda abordou temas internacionais, citando os efeitos econômicos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo ele, embora a guerra gere impactos globais, o Brasil tende a sofrer menos consequências diretas por manter relações comerciais mais intensas com parceiros como China, países da União Europeia, Argentina e os próprios Estados Unidos. Ainda assim, ele alertou que a alta no preço do petróleo já começa a refletir no custo de combustíveis como gasolina e diesel.

Por fim, Alckmin comentou o cenário político e eleitoral, afirmando que disputas polarizadas têm sido uma realidade em diversos países. Mesmo diante desse contexto, ele afirmou estar otimista com o desempenho da economia brasileira, citando a queda do desemprego e a manutenção de índices de inflação considerados baixos. Também destacou a recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que busca fortalecer a integração entre forças de segurança pública no país.

*Com informações Agência Brasil