Política

Silêncio estratégico: a decisão de JHC que trava o jogo político em Alagoas

JHC aparece bem posicionado em pesquisas de intenção de voto tanto para o governo estadual quanto para o Senado

Por Redação* 10/03/2026 08h08
Silêncio estratégico: a decisão de JHC que trava o jogo político em Alagoas
JHC articula possível candidatura ao governo em 2026. - Foto: Reprodução

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), continua fazendo misterio sobre permanecer no cargo ou renunciar em abril passou a ser um dos principais pontos de incerteza no cenário político de Alagoas para as eleições de 2026. A decisão pode impactar diretamente os planos eleitorais do deputado federal Arthur Lira (PP) e do grupo liderado pelo senador Renan Calheiros (MDB) e pelo ministro dos Transportes Renan Filho (MDB).

JHC aparece bem posicionado em pesquisas de intenção de voto tanto para o governo estadual quanto para o Senado. Ainda assim, a ausência de uma definição sobre seu futuro político mantém aliados e adversários em compasso de espera, já que sua eventual candidatura pode alterar significativamente o equilíbrio da disputa. Desde 2022, o prefeito mantém aliança com Arthur Lira, que já manifestou apoio à possibilidade de JHC disputar o governo de Alagoas.

Em entrevistas recentes, Lira reiterou esse apoio e afirmou aguardar a decisão do prefeito. Nos bastidores, porém, interlocutores apontam desconforto com a demora e com a falta de uma manifestação pública de JHC em favor da candidatura de Lira ao Senado. Caso o prefeito decida concorrer ao governo estadual, sua candidatura poderia reforçar a base eleitoral de Lira, especialmente na região metropolitana de Maceió. Ao mesmo tempo, JHC depende do grupo político do deputado para ampliar sua presença no interior do estado.

Reportagem do UOL indica que, paralelamente, o prefeito teria firmado compromissos políticos em âmbito nacional. Em 2025, durante articulações em Brasília, ele teria se comprometido a não disputar cargos em 2026, o que abriria caminho para o projeto de Renan Filho ao governo de Alagoas. No mesmo período, sua tia, Marluce Caldas, foi indicada para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Nos últimos meses, JHC também intensificou a aproximação com o governo federal e com o Partido dos Trabalhadores (PT). Durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Maceió, o prefeito elogiou a gestão federal, sinalizando abertura ao diálogo com o grupo político aliado aos Calheiros.

Diante desse cenário, qualquer decisão tende a provocar efeitos nas alianças políticas do estado. Caso dispute o governo, JHC pode contrariar compromissos assumidos anteriormente em Brasília. Se optar pelo Senado, poderá enfrentar diretamente nomes fortes, como Arthur Lira e Renan Calheiros, além de outros possíveis candidatos. Uma terceira alternativa seria permanecer na Prefeitura de Maceió até o fim do mandato.

Nesse caso, um dos principais impactados seria o vice-prefeito Rodrigo Cunha (Podemos), que deixou o Senado em 2024 após um acordo político que previa sua posse no Executivo municipal caso JHC decidisse deixar o cargo.