Política

Mulheres são maioria do eleitorado, mas ainda é pequena a participação na política de AL

Em 2024, as mulheres representaram cerca de 33% das candidaturas no estado, mas receberam menos de 18% dos votos nominais

Por Blog de Edivaldo Junior 09/03/2026 04h04
Mulheres são maioria do eleitorado, mas ainda é pequena a participação na política de AL
Mulheres são maioria do eleitorado, mas ainda é pequena a participação na política de AL - Foto: Esther Barros

No papel, as mulheres são maioria no eleitorado de Alagoas. Na prática, ainda ocupam uma parcela bem menor dos espaços de poder. Os números das últimas eleições municipais ajudam a dimensionar essa distância. Em 2024, as mulheres representaram cerca de 33% das candidaturas no estado, mas receberam menos de 18% dos votos nominais para vereador.

O contraste é ainda mais evidente quando se observa o perfil do eleitorado. Segundo dados da Justiça Eleitoral, Alagoas tem 1.277.333 eleitoras, o equivalente a cerca de 54% dos 2,38 milhões de votantes aptos. Ou seja: as mulheres são maioria entre os eleitores, mas continuam minoria entre os eleitos.

Os dados indicam que a ampliação da presença feminina na política ainda enfrenta barreiras estruturais, mesmo após avanços institucionais como a cota mínima de candidaturas por gênero.

Prefeituras: presença cresce, mas ainda é limitada

Nas eleições municipais de 2024 em Alagoas, 50 mulheres disputaram prefeituras. Dessas, 24 foram eleitas. Entre os homens, foram 210 candidaturas e 78 eleitos. Isso significa que, do total de 102 prefeitos eleitos no estado, apenas cerca de 23% são mulheres. A proporção indica crescimento em relação a eleições anteriores, mas ainda está distante de refletir o peso do eleitorado feminino.

Câmaras municipais ainda são majoritariamente masculinas


O cenário é ainda mais desigual nas câmaras municipais. Em Alagoas, 1.840 mulheres disputaram vagas de vereadora em 2024. Ao final da eleição, apenas 187 foram eleitas. Entre os homens, foram 3.470 candidatos e 903 eleitos. No total, dos 1.090 vereadores eleitos no estado, cerca de 17% são mulheres.

Os dados de votação reforçam essa diferença. Nas eleições proporcionais municipais em Alagoas, candidatas mulheres receberam 326.751 votos nominais, o equivalente a 17,78% do total. Já os homens concentraram 82,22% dos votos.

O quadro local acompanha uma tendência nacional. Cenário nacional também mostra desigualdade. Em todo o Brasil, as mulheres também permanecem sub-representadas nos cargos eletivos municipais. Nas eleições de 2024, 728 mulheres foram eleitas prefeitas, contra 4.756 homens. Ou seja, apenas cerca de 13% das prefeituras brasileiras passaram a ser comandadas por mulheres.

Nas câmaras municipais, o padrão se repete. Das mais de 58 mil vagas de vereador em todo o país, pouco mais de 10 mil foram ocupadas por mulheres — menos de 20% do total. O número de votos também mostra a diferença de peso eleitoral: cerca de 21,9% dos votos para vereador foram destinados a candidatas mulheres, contra mais de 78% para homens. Avanços existem, mas ainda são tímidos.

Congresso Nacional também reflete desigualdade

No Congresso Nacional, o cenário não é muito diferente. A atual legislatura conta com 91 deputadas federais, o equivalente a 17,7% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados. No Senado, são 15 senadoras, cerca de 18,5% do total.

Embora seja o maior número da história, a participação feminina no Parlamento brasileiro ainda está abaixo da média mundial, que supera 26%.

Alagoas: presença feminina cresce em alguns espaços


Apesar das dificuldades nas eleições, Alagoas tem registrado avanços em alguns espaços institucionais. No governo estadual, as mulheres ocupam atualmente a maioria das secretarias. Na Assembleia Legislativa, a bancada feminina chegou a seis deputadas — um número considerado recorde para o estado.

Em Maceió, a Câmara Municipal tem hoje cinco vereadoras entre os 27 parlamentares. No campo, iniciativas como o programa estadual “Mulheres: Raízes da Resistência” também buscam ampliar o protagonismo feminino na agricultura familiar e em organizações produtivas.

Potencial eleitoral ainda pouco convertido em poder político

Os dados indicam que o desafio não está apenas na participação eleitoral, mas também nas condições de disputa. Mesmo com a obrigação legal de que ao menos 30% das candidaturas sejam femininas, muitas candidatas ainda enfrentam dificuldades de financiamento, visibilidade e estrutura partidária.

Há também um fator cultural: a política brasileira historicamente foi construída como um espaço predominantemente masculino. O resultado é um cenário em que as mulheres votam mais, mas ainda são eleitas menos. O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, volta a colocar esse debate em evidência.

Em Alagoas — onde elas são maioria no eleitorado — o potencial político feminino é evidente. A distância entre voto e representação mostra que há espaço para avançar. E, olhando os números, avançar parece ser apenas uma questão de tempo — e de oportunidade.