Política

Câmara de Maceió sob suspeita: recadastramento expõe possíveis “fantasmas”

Recadastramento pode identificar servidores que recebem altos salários sem comparecer ao trabalho, enquanto Ministério Público é acionado

Por Redação* 25/02/2026 08h08
Câmara de Maceió sob suspeita: recadastramento expõe possíveis “fantasmas”
Câmara de Maceió - Foto: Reprodução

Além dos embates protagonizados pelo vereador Rui Palmeira e a situação na Casa de Mário Guimarães, um novo escândalo atinge a Câmara Municipal de Maceió. A abertura do recadastramento dos servidores trouxe à tona indícios de que funcionários com altos salários sequer estariam comparecendo ao local de trabalho.

Em reportagem na Gazeta de Alagoas, o jornalista Arnaldo Ferreira expõe indícios de irregularidades na estrutura administrativa da Casa. Nos bastidores, há quem admita que tanto as ausências quanto os vencimentos elevados seriam de pleno conhecimento da Mesa Diretora.

Diante da gravidade do caso — agravado por práticas de paternalismo político — a expectativa é de atuação imediata do Ministério Público. Uma investigação aprofundada pode produzir consequências imprevisíveis para o cenário político local.

Atualmente, a Câmara de Maceió conta com cerca de 680 servidores. No entanto, o recadastramento pode revelar um quadro ainda mais complexo: servidores cedidos a gabinetes ou a outras instituições, salários fora do padrão e possíveis distorções administrativas.

Não se trata de um problema inédito. Irregularidades semelhantes já foram denunciadas em gestões anteriores. A diferença agora está na visibilidade do caso e na pressão por respostas concretas. Resta saber como o presidente Chico Filho conduzirá a situação após a conclusão do recadastramento e a eventual identificação de “servidores fantasmas”.

O processo pode ainda apontar beneficiários políticos dessas nomeações atípicas — prática que, segundo relatos de bastidores, não era exatamente desconhecida.

Diante da repercussão, a medida mais prudente para a Mesa Diretora seria aprofundar a apuração, promovendo, por exemplo, o cruzamento da folha de pagamento com dados do Governo do Estado, de outras câmaras municipais e da Assembleia Legislativa, a fim de identificar acúmulos irregulares.

No campo político, a semana já começou sob forte tensão. A tendência é que o plenário da Câmara se transforme em arena entre situação e oposição, o que pode desviar o foco de pautas estruturantes, como a atualização do Plano Diretor, parado há cerca de duas décadas. Com o impacto do recadastramento, eventuais candidaturas majoritárias e proporcionais tendem a entrar em compasso de espera.

Em paralelo, no plano nacional, o relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, criticou a ausência do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, que obteve habeas corpus para não comparecer ao colegiado que investiga fraudes contra aposentados e pensionistas — consideradas entre as maiores já registradas no país.

Por fim, no setor educacional, os técnicos administrativos da Ufal decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (27). A paralisação, aprovada em assembleia do Sintufal e alinhada à mobilização nacional da categoria, deve impactar atividades administrativas e de apoio acadêmico na universidade.

*Com informações da Gazetaweb