Política

Sem Vorcaro, “duelo” entre Renan e Gaspar é adiado em Brasília

Por decisão do Supremo Tribunal Federal, ele não é obrigado a comparecer no depoimento na CPMI

Por Blog de Edivaldo Junior 23/02/2026 08h08
Sem Vorcaro, “duelo” entre Renan e Gaspar é adiado em Brasília
Alfredo Gaspar e Renan Calheiros - Foto: Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro confirmou que não irá depor na CPMI que investiga irregularidades no INSS. A decisão esvazia o que seria um dos momentos de maior repercussão da comissão e altera o cenário de um embate que vinha se desenhando entre dois protagonistas da política alagoana: o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil), relator da CPMI, e o senador Renan Calheiros (MDB), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

A ausência de Vorcaro é facultativa. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, ele não é obrigado a comparecer no depoimento na CPMI, que ocorreria nesta segunda-feira (23/02) e na CAE, nesta terça (24/02). E, ao optar por não ir, frustra expectativas criadas em torno de um depoimento que prometia tensionar ainda mais o caso Banco Master, hoje um dos mais rumorosos da política nacional.

Alfredo Gaspar reagiu ao estilo nas redes sociais. “Vorcaro, sua fuga da CPMI é uma verdadeira confissão de culpa”, escreveu. Em vídeo, foi além: questionou a quem interessaria o silêncio do banqueiro e afirmou que pretendia fazer perguntas “para o Brasil conhecer a verdade”.

Sem Vorcaro, no entanto, a CPMI perde o depoimento que poderia dar dimensão ainda maior ao caso — e, por consequência, ao próprio relator.

E a CAE? Silêncio também deve prevalecer

No Senado, o cenário é semelhante. Até o momento, não há confirmação de que Vorcaro comparecerá à Comissão de Assuntos Econômicos. Como também não é obrigado a ir à CAE, tudo indica que seguirá a mesma estratégia adotada na Câmara.

Renan Calheiros vem estruturando a comissão para atuar como uma espécie de CPI informal do Master, com pedidos de acesso a documentos sigilosos, reuniões com o STF e a Polícia Federal e acompanhamento direto das investigações. A eventual oitiva do banqueiro ampliaria ainda mais a visibilidade da comissão.

Sem o depoente, a CAE mantém sua atuação técnica, mas perde um momento de exposição política que colocaria Renan sob os holofotes nacionais em confronto direto com o controlador do banco.

Embate adiado no Congresso, não nas urnas

O caso Master criaria um palco singular: duas comissões, dois adversários alagoanos e um personagem capaz de incendiar o debate. De um lado, Gaspar, relator da CPMI, com discurso mais incisivo e foco nos empréstimos consignados. De outro, Renan, com escopo mais amplo na CAE para tratar de toda a liquidação do banco e de eventuais conexões institucionais.

Com a ausência de Vorcaro, o confronto direto nas comissões fica adiado. Mas o pano de fundo permanece.

Gaspar é pré-candidato ao Senado. Renan disputará a reeleição. Ambos sabem que cada movimento em Brasília tem repercussão direta em Alagoas. O episódio do Master, mesmo sem depoimento, reforça essa dinâmica.

Se o duelo não ocorreu no plenário das comissões, tudo indica que terá desfecho mais adiante — desta vez, nas urnas.