Política

Renan x Gaspar: duelo nacional no caso Master e pelo Senado em Alagoas

De aliados, viraram adversários e, ao que tudo indica, futuros concorrentes diretos nas eleições deste ano

Por Blog de Edivaldo Junior 20/02/2026 13h01
Renan x Gaspar: duelo nacional no caso Master e pelo Senado em Alagoas
Alfredo Gaspar e Renan Calheiros - Foto: Reprodução

O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master, está no epicentro de uma disputa política que ultrapassa Brasília e desembarca diretamente em Alagoas. De um lado, o senador Renan Calheiros (MDB), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Do outro, o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil), relator da CPMI que investiga irregularidades no INSS.

De aliados, viraram adversários e, ao que tudo indica, futuros concorrentes diretos nas eleições deste ano. Alfredo Gaspar já foi secretário de Segurança de Renan Filho e disputou a prefeitura de Maceió pelo MDB em 2020, com todo apoio e envolvimento do senador Renan Calheiros, presidente do partido em Alagoas.

Em 2022, Gaspar já rompido com os Renans, foi eleito deputado federal e assumiu seu perfil de conversador de direita, aderindo ao bolsonarismo. Desde então, virou adversário dos Calheiros.

Renan e Gaspar sinalizam para um confronto nas urnas em outubro. Antes disso terão vários embates, diretos e indiretos. Um deles está programado para a próxima semana, com forte repercussão na mídia nacional.

O banqueiro Vorcaro foi convocado para depor em duas frentes distintas: na CPMI e na CAE. Mas há um detalhe decisivo que muda completamente o cenário: o depoimento é facultativo. Por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o banqueiro não é obrigado a comparecer. Ou seja, só fala se quiser.

Se decidir ficar em silêncio ou simplesmente não comparecer, o resultado será um duro golpe nas expectativas criadas em torno das duas comissões — e uma espécie de água fria nos planos tanto de Renan quanto de Gaspar.

Ainda assim, o embate já está desenhado. Na CPMI, Alfredo Gaspar terá o protagonismo formal como relator, mas enfrentará uma limitação estrutural importante: o escopo da comissão (no caso Master) é restrito à investigação de fraudes em empréstimos consignados. Isso significa que suas perguntas terão de se concentrar nesse universo específico, sem avançar livremente sobre todos os aspectos da liquidação do Banco Master.

Já na CAE, Renan Calheiros terá uma margem de atuação muito mais ampla. Como presidente da comissão permanente responsável por assuntos econômicos e financeiros, ele poderá questionar Vorcaro sobre toda a estrutura do banco, sua liquidação, o uso de instrumentos financeiros, eventuais falhas de supervisão e possíveis conexões políticas e institucionais.

Nos bastidores, Renan já deixou claro seu incômodo com o que considera uma manobra política. O senador reclamou publicamente do fato de a CPMI ter antecipado a oitiva de Vorcaro, o que, na prática, abriu uma disputa direta pelos holofotes do caso Master. Ainda assim, interlocutores do senador avaliam que, mesmo ouvindo o banqueiro depois, a CAE terá mais condições de conduzir uma investigação mais ampla e profunda.

O cenário desenha um confronto simbólico entre dois estilos e duas trajetórias. Gaspar, com sua experiência como promotor de Justiça, deve adotar uma postura mais incisiva e inquisitiva. Renan, por sua vez, entra em campo com a bagagem de décadas no Senado e a reputação de um dos mais habilidosos articuladores políticos do Congresso, com atuação marcante em investigações parlamentares – a exemplo da CPI da Covid - e na condução de temas complexos.

O embate promete ir além do institucional e descambar para o eleitoral. Alfredo Gaspar é pré-candidato ao Senado. Renan Calheiros vai disputar a reeleição como senador. Ambos representam campos políticos distintos e carregam trajetórias que frequentemente se cruzaram em posições opostas.

O depoimento de Vorcaro, se ocorrer, poderá projetar ainda mais ambos no cenário nacional. Se não ocorrer, deixará uma lacuna — e uma frustração — proporcional ao tamanho das expectativas criadas.

De qualquer forma, o caso Master já produziu um efeito antecipando a disposição de dois dos principais protagonistas da política alagoana de ficarem “frente a frente”, sob as luzes do escândalo mais rumoroso da atualidade em Brasília. E, como em toda disputa política, a batalha não será apenas por respostas, mas também por narrativa, visibilidade e protagonismo.

Este ano são duas vagas para o Senado. De acordo com as últimas pesquisas, Renan e Gaspar estão no páreo. Mas não só eles. Outros nomes despontam com chances, a exemplo de Davi Davino Filho, Arthur LIra e JHC. mas essa é outra história.Manobra

Leia trecho de texto do InfoMoney:

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros, denuncia uma tentativa de esvaziar os trabalhos do seu colegiado. “Sim (a CPI quer esvaziar nossos trabalhos). Mas não vai esvaziar”, afirma Renan. Para ele, a relevância dos trabalhos da sua comissão não permitirá que a CPI retire a importância da iniciativa da CAE.

“A CAE atua permanentemente no acompanhamento e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional, como um todo, inclusive nas suas fraturas que favorecem fraudes como a do Master. Nosso trabalho fortalece, sem nenhum conflito, qualquer CPI que queira tratar dessas fraudes, punir responsáveis e aprimorar legislação”, diz Renan. “E pior é que o ex-presidente do BRB quer depor também.