Política

Prefeitos que renunciam para disputar governos acumulam mais derrotas do que vitórias

Levantamento eleitoral expõe risco histórico da estratégia e coloca eventual candidatura de JHC sob pressão

Por Redação* 18/02/2026 13h01
Prefeitos que renunciam para disputar governos acumulam mais derrotas do que vitórias
JHC articula possível candidatura ao governo em 2026. - Foto: Reprodução

A decisão de abandonar o comando de uma capital para tentar o governo estadual tem se mostrado, historicamente, um movimento de alto risco. Dados compilados a partir das eleições realizadas desde 2002 indicam que a maioria dos prefeitos que optaram por deixar o cargo antes do fim do mandato acabou derrotada nas urnas.

O levantamento, divulgado por O Globo, aponta que, entre 19 gestores de capitais que renunciaram para concorrer aos Executivos estaduais, apenas seis conseguiram converter a aposta em vitória. O dado expõe uma tendência de insucesso que contraria a percepção de que a vitrine administrativa das grandes cidades seja, por si só, um trampolim seguro para o Palácio estadual.

Há exceções. O ex-prefeito paulistano João Doria conseguiu se eleger governador de São Paulo, assim como José Serra em outro momento político. Também houve êxito em estados como Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraná e Paraíba. Ainda assim, os casos vitoriosos são minoria diante do conjunto analisado.

Entre os exemplos de derrota está Alexandre Kalil, que deixou a Prefeitura de Belo Horizonte para disputar o governo mineiro em 2022 e foi superado já no primeiro turno — um revés que reforçou o histórico desfavorável da estratégia.

O movimento volta ao centro do debate político com as articulações para 2026 e alcança o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC). Embora ainda não haja anúncio oficial, aliados admitem que o cenário estadual está em análise. A eventual entrada do ministro dos Transportes, Renan Filho, na disputa é considerada uma variável determinante no cálculo político.

Especialistas em comportamento eleitoral avaliam que a renúncia pode ser interpretada por parte do eleitorado como quebra de compromisso, sobretudo quando ocorre no meio do mandato. O desgaste político, somado ao histórico estatístico pouco favorável, impõe cautela a prefeitos que enxergam no governo estadual o próximo passo da carreira.

Com Jornal Extra.