Política
Qual movimento muda tudo ou não muda nada até 4 de abril em Alagoas?
Este é o prazo final para desincompatibilização de quem ocupa cargos públicos e pretende disputar as eleições de 2026
O calendário eleitoral avança silenciosamente até chegar a data que, na prática, funciona como divisor de águas na política de Alagoas: 4 de abril. É o prazo final para desincompatibilização de quem ocupa cargos públicos e pretende disputar as eleições de 2026. A partir dali, o que hoje é especulação vira fato. Até lá, o cenário vive o paradoxo do “muda tudo ou não muda nada”.
O primeiro ponto é Renan Filho. Se ele mantiver o roteiro esperado e disputar o governo de Alagoas, não muda nada. O cenário segue como está. Ele já é o principal nome do grupo governista, com apoio de mais de 90% dos prefeitos, controle do governo estadual, ampla maioria na Assembleia Legislativa e forte presença na bancada federal. Sua candidatura consolidaria um projeto que vem sendo construído há anos e manteria o equilíbrio atual de forças.
Mas existe outra possibilidade. Se o MDB for convidado a ocupar a vice na chapa do presidente Lula e Renan Filho for o escolhido, muda tudo. O principal nome do grupo deixaria a disputa estadual e abriria uma nova corrida interna pela sucessão. O grupo governista teria de se reorganizar e encontrar um substituto com capacidade de manter a competitividade eleitoral.
No campo da oposição, a equação é semelhante e tem nome e sobrenome: JHC.
Se o prefeito de Maceió decidir permanecer no cargo até o final do mandato, muda tudo. O grupo oposicionista continuará estruturado em torno de candidaturas ao Senado, como as de Arthur Lira, Davi Davino Filho e Alfredo Gaspar, todos esperando por um candidato ao governo que organize o palanque.
Mas se JHC deixar a prefeitura para disputar o governo, não muda nada. Tudo fica dentro do esperado pela oposição hoje. Rodrigo Cunha assume o comando da capital, passa a ter a força institucional do cargo e sobe um ou dois degraus no jogo da política. Com a caneta na mão, poderá influenciar na disputa do governo, do Senado ou simplesmente permanecer como prefeito para buscar a reeleição mais adiante.
Existe ainda uma terceira hipótese, menos provável, mas possível: JHC disputar o Senado. Nesse caso, muda tudo novamente. A decisão alteraria o planejamento dos aliados que contam com sua candidatura ao governo e criaria um efeito dominó nas estratégias eleitorais da oposição.
Por isso, até 4 de abril, o que existe é expectativa. O jogo está desenhado, mas não definido. Renan Filho já decidiu que deixa o Ministério dos Transportes e deve confirmar se toca o projeto estadual — ou se assume uma missão nacional. JHC precisa decidir se permanece na prefeitura ou entra na disputa majoritária.
Depois dessa data, o cenário deixará de ser um exercício de projeção para se tornar realidade política. Até lá, Alagoas vive o tempo da pergunta que domina bastidores, conversas e articulações: afinal, vai mudar tudo — ou não vai mudar nada?

