Política
Arthur Lira dobra aposta e torna projeto ao Senado quase irreversível
O movimento não é recente, mas agora ele dá um passo adiante
Arthur Lira decidiu jogar alto. Mesmo sem a garantia de ter o prefeito de Maceió, JHC, no seu palanque — seja como candidato ao governo ou como aliado formal — o ex-presidente da Câmara dos Deputados entrou em nova fase da pré-campanha ao Senado e sinaliza que não há mais espaço para recuo.
O movimento não é recente, mas agora ele dá um passo adiante. Há mais de seis meses, Lira percorre municípios, participa de eventos regionais e intensifica agendas políticas. O degrau seguinte será um grande ato público em Alagoas, que deve marcar oficialmente o lançamento da sua pré-candidatura.
Na prática, é o gesto que transforma uma intenção em projeto quase irreversível.
Em declarações à imprensa nacional, o próprio Lira deixou claro que a decisão está tomada.
“Sou pré-candidato ao Senado por Alagoas. É uma decisão amadurecida, construída com diálogo e com base no trabalho que realizamos ao longo dos últimos anos”, afirmou.
Ao anunciar o evento político, ele também sinalizou que pretende consolidar posições num momento em que potenciais adversários avançam na montagem de suas chapas.
“Vamos realizar um grande encontro em Alagoas para dialogar com a população e apresentar esse novo projeto”, disse.
A antecipação da pré-campanha tem lógica. Ao ocupar o espaço desde já, Lira busca se consolidar em uma corrida que promete ser uma das mais competitivas da história recente de Alagoas. O caminho, no entanto, é longo.
Na disputa pelas duas vagas ao Senado, ele deve enfrentar nomes com forte densidade eleitoral, a exemplo do senador Renan Calheiros, do deputado federal Alfredo Gaspar, do deputado estadual Davi Davino Filho e, possivelmente, do vice-governador Ronaldo Lessa. E ainda depende de uma variável central: o prefeito JHC, cuja candidatura ao governo ou ao Senado segue no campo das possibilidades.
Risco calculado
Nos bastidores, a avaliação predominante é que Lira assume um risco calculado. Ao transferir progressivamente suas bases eleitorais de deputado federal para o filho, Álvaro Lira, ele preserva o espaço político da família em Brasília e se libera para disputar uma vaga no Senado.
É uma aposta alta. Abre mão de uma posição consolidada para buscar um novo patamar político.
Ao tornar público o projeto e intensificar a agenda eleitoral, Lira reduz o espaço para especulações sobre desistência. O cenário, no entanto, permanece aberto.
A depender das alianças que se consolidarem até abril — prazo limite para desincompatibilizações e filiações — o tabuleiro poderá se reorganizar. O que já não parece provável é um recuo do próprio Lira.
Ele decidiu disputar.
Se vencer, amplia o alcance político e projeta o grupo familiar para um novo ciclo. Se perder, o que não faltam são especulações sobre o seu futuro — de aliados e adversários. Mas essa é outra história.


