Política

Você sabe qual “JHC “ escapou de um impeachment este mês?

Filhos de políticos, foram eleitos deputados federais praticamente ao mesmo tempo

Por Blog de Edivaldo Junior 13/02/2026 13h01
Você sabe qual “JHC “ escapou de um impeachment este mês?
JHC e JHC: os prefeitos de Recife e Maceió em diferentes momentos - Foto: Reprodução

Os dois são amigos, foram criados juntos em Brasília (eram vizinhos) e tiveram trajetórias quase paralelas. Filhos de políticos, foram eleitos deputados federais praticamente ao mesmo tempo — um por Pernambuco, outro por Alagoas. Mais adiante, ambos chegaram ao comando de capitais nordestinas e, novamente por coincidência, podem deixar o cargo para disputar o governo de seus estados.

Sim, são jovens, populares nas redes sociais e fazem política sem intermediários, conversando diretamente com a população. E, como se não bastasse, têm o mesmo nome e até os sobrenomes são parecidos. De um lado, João Henrique Caldas, o JHC, prefeito de Maceió. Do outro, João Henrique Campos, também conhecido como JHC, prefeito do Recife.

As coincidências vão além da biografia. Os dois já foram filiados ao mesmo partido e continuam muito próximos, mesmo com um deles guinando de uma legenda de centro-esquerda para umptt de direita.

Recentemente João Campos, o JHC de Pernambuco, foi alvo de um pedido de impeachment no Recife. Escapou com folga. A votação realizada há dez dias foi 25 conta e 9 a favor. O desfecho ajuda a entender por que esse instrumento, embora frequentemente citado no debate político, dificilmente avança quando não há base jurídica consistente ou ambiente político favorável.

O caso do Recife

No início de janeiro, a Câmara Municipal do Recife recebeu um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos. O requerimento foi analisado dentro do rito previsto, com parecer técnico da Procuradoria e tramitação regimental. O tema ganhou repercussão e alimentou especulações políticas, inclusive sobre eventual desgaste do prefeito.

Mas o resultado foi rápido e objetivo. Em votação, os vereadores rejeitaram a abertura do processo. O pedido não prosperou e foi arquivado ainda na fase inicial. Na prática, o episódio teve mais efeito político e midiático do que jurídico.

O caso ilustra o quanto o impeachment de prefeito é um processo político-administrativo, que depende não apenas de denúncia formal, mas de fundamentação consistente e, sobretudo, de maioria qualificada na Câmara Municipal.

Sem esses elementos, o processo não avança.

Maceió no radar

O episódio em Recife ganhou repercussão além das fronteiras de Pernambuco. Um vídeo recente, de um professor alagoano, menciona a possibilidade do prefeito enfrentar impeachment e faz um “trocadilho” entre os nomes dos políticos.

A referência chamou atenção porque o JHC alagoano foi citado. “Não, não é este JHC, do Gigantinhos, da Roda Gigante, é este JHC, João Henrique, JHC do Recife”. No caso de Maceió, não há sequer processo aberto ou denúncia contra o prefeito. E tudo indica que ele sairá com maioria consolidada na Câmara Municipal de Vereadores.

Coincidências que alimentam o debate político

As semelhanças entre os dois prefeitos — ambos jovens, com projeção nacional e potenciais candidatos ao governo estadual — ajudam a explicar por que episódios envolvendo um acabam repercutindo no ambiente político do outro.

João Campos é hoje um dos nomes mais fortes da nova geração do PSB. João Henrique Caldas, por sua vez, consolidou-se como uma das principais lideranças políticas de Alagoas e é apontado como potencial candidato ao governo em 2026.