Política

Renan amplia cerco na investigação do Master com a PF e no STF

Ao assumir a linha de frente do caso, o senador alagoano amplia sua visibilidade e reafirma o papel do Senado na fiscalização de temas sensíveis

Por Blog de Edivaldo Junior 10/02/2026 15h03
Renan amplia cerco na investigação do Master com a PF e no STF
Para Renan, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, trata-se da maior fraude bancária do Brasil - Foto: Agência Senado

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado entra em uma nova fase na apuração do caso Banco Master e se consolida como o principal espaço institucional de acompanhamento político de um dos maiores escândalos financeiros em investigação no país.

Sob a condução do senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CAE criou uma subcomissão e passou à ação concreta, com pedidos formais de documentos, reuniões com as principais autoridades do sistema de Justiça e uma estratégia de aprofundamento técnico das apurações.

Na semana passada senadores da CAE, estiveram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo. O presidente da CAE requisitou cópia de toda documentação envolvendo o Master, inclusive as sigilosas e não descartou a possibilidade de a CAE pedir ao plenário do Senado a votação da quebra de sigilo dos dados protegidos.

O movimento confirma o reposicionamento de Renan no centro do debate nacional. Ao assumir a linha de frente do caso, o senador alagoano amplia sua visibilidade e reafirma o papel do Senado na fiscalização de temas sensíveis, que envolvem o sistema financeiro, órgãos de controle e possíveis conexões políticas.

Nesta quarta-feira, 11, Renan Calheiros e integrantes da CAE vão se reunir nesta semana com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Vão solicitar colaboração e informações sobre o caso Master.

blog do Edivaldo Junior, Renan Calheiros afirmou que "a Comissão é técnica, permanente. Ela não tem alvo, não permitirei que seja politizada. Tem senadores de todos os partidos. Quarta iremos ao STF e a PF". Segundo ele, o objetivo é esclarecer os fatos sem transformar a investigação em palco de disputa política.

O equilíbrio na condução das investigações é considerado essencial para evitar que o tema seja explorado política e eleitoralmente – mais do que já. Renan Calheiros avalia que é possível avançar nas investigações a partir do acesso a documentos sigilosos e da colaboração com autoridades envolvidas no processo de liquidação e investigação do banco.

“CPI informal” do Master

A apuração começou com a criação, no âmbito da CAE, de um grupo de trabalho específico para acompanhar o caso Banco Master. Embora não tenha os poderes formais de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o grupo funciona, na prática, como uma CPI informal, com atuação contínua e foco técnico.

A criação do grupo também teve efeito imediato nos bastidores. Ao trazer o tema para dentro da CAE, o Senado quebrou o silêncio em torno do caso e reduziu o espaço para tentativas de esvaziamento ou condução discreta de um escândalo que já mobiliza a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal.

Pedidos

Além da PF e do STF, o grupo da CAE aprovou requerimentos para acessar dados do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e de outros órgãos de controle. A comissão quer compreender como se deu a supervisão do Banco Master, quais alertas foram emitidos, se houve falhas de fiscalização e de que forma a instituição conseguiu manter suas operações até a decretação da liquidação extrajudicial.

Entre os pontos centrais da apuração está o uso de CDBs e outros instrumentos financeiros que, segundo as investigações, teriam sido fundamentais para sustentar a operação do banco. A comissão também busca entender se houve tentativas de retardar ou reverter a liquidação e quais interesses estavam em jogo.

Investigação técnica, sem barreiras

Renan tem repetido que o trabalho da CAE será técnico, mas sem limitações artificiais. A avaliação do senador é que não se pode impor barreiras que impeçam a comissão de chegar às causas reais da liquidação do Master. Para ele, o papel do Senado é garantir transparência e permitir que a sociedade compreenda o que, de fato, aconteceu.

O avanço das investigações policiais, como o acesso da Polícia Federal ao conteúdo do celular do controlador do banco, Daniel Vorcaro, tende a ampliar o volume de informações disponíveis e dar novos contornos ao caso. Esse material também deve ser acompanhado de perto pela comissão.