Política
Água e óleo: Renan avisa a aliados que não divide palanque com Lira
Posição já é conhecida desde o início do ano passado
Recado não foi dirigido ao pré-candidato, mas para quem negociam segundo voto com o deputado
O senador Renan Calheiros (MDB) voltou a deixar claro – agora em tom mais contundente - que não vai dividir o mesmo palanque com o deputado federal Arthur Lira (PP) nas eleições deste ano. A posição já é conhecida desde o início do ano passado. Ainda assim a afirmação foi repetida em diferentes entrevistas nas últimas semanas. E não foi por acaso.
Agora, a fala de Renan Calheiros ganha novo peso político porque, desta vez, o alvo do recado não parece ser o próprio adversário, mas aliados que negociam acordos para garantir a Lira o segundo voto ao Senado dentro da base governista.
Renan tem sido direto ao tratar do tema. “Com Lira não vou fazer aliança em lugar nenhum de Alagoas”, afirmou o senador em uma das entrevistas recentes, no sábado passado (31/01). Em outra ocasião, reforçou o tom: “Ele não vai subir no mesmo palanque que eu”.
A declaração não é nova, mas a repetição, em sequência, indica uma estratégia para delimitar território político. O senador tenta impedir que prefeitos, vereadores e outras lideranças do MDB e do grupo do governo avancem em entendimentos com Lira, sobretudo em municípios onde o segundo voto ao Senado costuma ser negociado.
Na prática, a mensagem funciona como um aviso interno. Lira já conhece a posição de Renan, mas o recado mais claro tende a alcançar lideranças locais que vinham costurando acordos políticos sem grandes resistências dentro da base governista.
O movimento ocorre no momento em que o deputado ampliava espaço em áreas tradicionalmente ligadas ao grupo de Renan, buscando apoio para a disputa ao Senado. Estratégia que parece depender, em boa parte, da conquista do segundo voto em redutos do governo estadual e do MDB.
A relação entre os dois, no entanto, segue marcada por divergências cada vez mais profundas. O distanciamento político vem se consolidando desde o período em que Lira comandava a Câmara dos Deputados e se acentuou com a aproximação do calendário eleitoral.
Os dois são como água e óleo. Não se misturam. O experimento é simples, mas ilustra a situação política em Alagoas. De um lado, o grupo de Renan; de outro, o de Lira. Sem direito a meio termo.
Agora é ver como prefeitos e outras lideranças da base governista vão reagir ao recado. Parte deles vinha trabalhando em acordos duplos, com um pé em cada canoa: mantendo compromisso com o grupo do governo e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para o segundo voto em Lira. Com o endurecimento do discurso de Renan, essa estratégia pode ficar mais difícil de sustentar.
E para que ninguém crie desculpas, Renan Calheiros já avisou que o MDB e o governo terão dois candidatos ao Senado. Lessa e Wanderley estão no páreo. Mas essa é outra história.


