Política
Lessa mira Senado e critica cenário atual: “Temos três nomes fortes e nenhum é da esquerda”
Vice-governador afirma que decisão depende de Paulo Dantas e diz que campo progressista não está representado entre os principais pré-candidatos
O vice-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), confirmou que trabalha com a possibilidade de disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante entrevista ao CM Cast, publicada nesta quinta-feira (5), conduzida pelos jornalistas Carlos Melo e Ricardo Mota, do portal CadaMinuto.
Segundo Lessa, qualquer definição eleitoral está condicionada à permanência do governador Paulo Dantas (MDB) no cargo até o fim do mandato. Como vice, ele afirmou que não pode antecipar decisões sem conhecer o movimento do titular do Executivo estadual. “Eu fui eleito para ser vice. Não posso decidir nada sem saber o que o Paulo vai fazer”, declarou.
O vice-governador lembrou que Paulo Dantas tem reiterado publicamente que permanecerá no governo, o que abriria espaço para que ele discuta outros caminhos eleitorais. Caso o governador deixe o cargo para disputar eleições, Lessa assumiria o governo por nove meses, mas afirmou que, nessa hipótese, só poderia concorrer à reeleição. “Ou é reeleição, ou não é candidato”, disse.
Durante a entrevista, Lessa destacou que atua no governo como representante de um campo progressista e afirmou que esse espaço não está presente na atual disputa ao Senado em Alagoas. “Hoje, na disputa ao Senado, temos três nomes fortes e nenhum deles é da esquerda”, afirmou.
Ao analisar os possíveis adversários, classificou o senador Renan Calheiros (MDB) como centro-direita, o deputado federal Arthur Lira (PP) como direita fisiológica e o ex-procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar (PL) como direita ideológica. Segundo ele, a ausência de uma candidatura ligada à esquerda ou à centro-esquerda é um dos fatores que o motivam a considerar a disputa.
Lessa também descartou concorrer a cargos proporcionais, como deputado estadual ou federal. De acordo com ele, essas eleições dependem de estrutura partidária e recursos financeiros. “E eu não tenho isso. Nunca tive”, afirmou. O ex-governador acrescentou que não se sentiria confortável em buscar um mandato apenas por ser mais viável eleitoralmente.
Na avaliação de Lessa, a eleição para o Senado permite maior liberdade ao eleitor. “Para senador, o voto é mais livre, menos preso à máquina local”, disse, ao defender que esse tipo de disputa favorece candidaturas fora das estruturas tradicionais.
O vice-governador comentou ainda as dificuldades do PDT em Alagoas, especialmente pela ausência de federação partidária, o que, segundo ele, pesa contra uma eventual candidatura à Câmara Federal. Apesar disso, afirmou que o partido mantém diálogo com movimentos sociais e setores historicamente excluídos.
Durante a entrevista, Lessa também falou sobre questões pessoais, informando que passou por uma recaída recente no tratamento de saúde, mas respondeu de forma positiva. “Não é cura, é controle. Mas estou bem”, declarou.
Ao tratar do cenário político estadual, disse não se sentir representado nem pelo prefeito de Maceió, JHC, nem pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, apesar de reconhecer a capacidade administrativa de ambos. “Respeito, dialogo, mas não é o meu campo”, afirmou.


