Política
Contagem regressiva para JHC e Renan Filho nas articulações eleitorais em AL
Entre os dias 4 de março e 4 de abril, a legislação eleitoral permite a troca de partido sem risco de perda de mandato
A política alagoana entrou oficialmente em contagem regressiva. Faltando cerca de dois meses para o encerramento do prazo de desincompatibilização e da chamada janela partidária, deputados federais, estaduais e gestores que pretendem disputar as eleições deste ano intensificam articulações, revisam estratégias e avaliam, com cautela, se permanecem ou não nas legendas às quais estão atualmente filiados.
Entre os dias 4 de março e 4 de abril, a legislação eleitoral permite a troca de partido sem risco de perda de mandato por infidelidade partidária. Trata-se de um período decisivo, especialmente para parlamentares que buscam melhores condições para disputar cargos majoritários ou integrar chapas mais competitivas. Ainda assim, a expectativa é de mudanças pontuais, sem grandes reviravoltas no tabuleiro político.
Nas últimas semanas, algumas movimentações já começaram a ganhar forma. O empresário Gustavo Lima, candidato a deputado federal em 2022, confirmou que deixará o PSD para se filiar ao PL. No caso dele, não há qualquer implicação jurídica, uma vez que não exerce mandato, apesar de ter obtido votação expressiva no último pleito.
Entre os parlamentares com mandato, a principal movimentação envolve o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça. Confirmado como pré-candidato ao Senado, ele deve deixar o União Brasil. As conversas indicam que o destino pode ser o PL ou o Novo, legendas que lhe dariam maior autonomia para conduzir o projeto eleitoral. A troca é tratada como praticamente certa, restando apenas a definição formal do novo partido.
Outros deputados federais e estaduais também avaliam cenários, mas a maioria tende a permanecer onde está. A leitura predominante é de que as atuais acomodações partidárias são, em grande parte, satisfatórias, reduzindo o ímpeto por mudanças mais amplas. Nos bastidores, estima-se que apenas dois deputados federais e um número restrito de estaduais — algo entre quatro e cinco — devam efetivamente trocar de legenda.
No campo majoritário, o prazo também pressiona decisões relevantes. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC, terá até 4 de abril para decidir se deixa ou não o cargo para disputar o governo do Estado. Na semana passada, ao se reunir com vereadores e aliados, ele sinalizou disposição para liderar o projeto da oposição, reforçando a possibilidade de entrar na corrida ao Palácio República dos Palmares.
Por ora, JHC permanece no PL, embora ainda exista especulação sobre uma eventual migração para o PSB. A decisão central, no entanto, não é partidária, mas administrativa e política: renunciar ou não à prefeitura. Se a escolha fosse hoje, a saída seria considerada provável, mas até o fim do prazo o cenário pode mudar, diante de negociações e ajustes estratégicos.
Na oposição, além de JHC, o quadro para o Senado começa a se consolidar. Alfredo Gaspar surge como um dos nomes postos, ao lado de Artur Lira e Davi Davino Filho. A partir dessas definições, o foco passa a ser a montagem das chapas e a composição das alianças.
Do lado governista, o desenho está mais claro. O ministro Renan Filho é tratado como candidato ao governo, enquanto o senador Renan Calheiros deve buscar a reeleição. Há ainda discussões sobre o papel do vice-governador Ronaldo Lessa, que pode ou não disputar uma vaga ao Senado, dependendo do arranjo final da coligação.
Com os prazos se aproximando, partidos e lideranças refazem cálculos, ajustam discursos e definem prioridades. Apesar do ambiente de expectativa, a tendência é de um processo mais conservador do que aparenta. No fim das contas, as mudanças devem ser limitadas, com a maioria dos atores políticos apostando na estabilidade e aguardando o início efetivo do jogo eleitoral.


