Política

Voto secreto, a arma quase “secreta” que pode salvar Rui Palmeira

Por Blog do Edivaldo Junior 28/01/2026 14h02
Voto secreto, a arma quase “secreta” que pode salvar Rui Palmeira
Rui afirma que a movimentação atende a interesses políticos do prefeito JHC (PL) - Foto: Assessoria

A sessão extraordinária convocada pela Câmara Municipal de Maceió para esta quinta-feira, 29/01, às 15h, promete ser uma das mais tensas do ano legislativo. Na pauta, dois temas importantes para o município: a apreciação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 e o julgamento das contas do exercício de 2019 da gestão do então prefeito Rui Palmeira.

Embora o orçamento concentre o interesse diretos da administração municipal, é o julgamento das contas que domina o ambiente político nos bastidores. Sete anos após o encerramento da gestão, a inclusão dessa pauta, de forma simultânea à discussão orçamentária, reacendeu disputas políticas e questionamentos sobre o momento escolhido para a votação.

Rui Palmeira, hoje vereador e pré-candidato a deputado federal pelo PSD, afirma que a movimentação atende a interesses políticos do prefeito JHC (PL), a quem acusa de perseguição. Nas redes sociais, o ex-prefeito classificou a iniciativa como inédita e motivada por “picuinha política”, alegando que sua gestão cumpriu os parâmetros legais, inclusive os investimentos constitucionais em educação.

Voto secreto


Apesar do clima de confronto no discurso público, os bastidores da Câmara desenham um cenário menos hostil para Rui Palmeira. O principal motivo é o voto secreto, previsto no Regimento Interno da Casa para o julgamento das contas do Executivo. Se bem usado, esse instrumento pode virar uma “arma secreta” para o ex-prefeito.

Pela regra, a reprovação das contas exige o voto contrário de dois terços dos vereadores, o equivalente a 18 dos 27 parlamentares. E é exatamente aí que o cálculo político começa a mudar. Se a votação fosse aberta, a avaliação predominante entre vereadores ouvidos pelo Blog do Edivaldo Júnior é de que as contas seriam reprovadas com folga, alcançando algo entre 20 e 21 votos.

Com o voto secreto, no entanto, o prognóstico é outro. Estimativas feitas por parlamentares de diferentes partidos apontam que a rejeição deve variar entre 12 e 17 votos, número insuficiente para atingir o quórum necessário. Na prática, o instrumento do sigilo pode virar em uma espécie de “arma silenciosa” a favor de Rui Palmeira.

Vereadores que integram a base governista ou que hoje compõem a bancada de apoio à Prefeitura têm sinalizado, nos bastidores, que não pretendem votar pela reprovação das contas. Não se trata, segundo relatos, de um gesto de enfrentamento ao prefeito JHC, mas de uma combinação de fatores: o corporativismo natural do Legislativo, o desconforto em punir um colega de plenário e a segurança proporcionada pelo voto secreto.

Outro elemento

Outro elemento que pesa é o entendimento de que não há, neste momento, clima político para tornar Rui inelegível. Uma rejeição das contas teria impacto direto sobre sua pré-candidatura à Câmara Federal e poderia acirrar ainda mais o ambiente político local, com reflexos imprevisíveis.

Até agora, o prefeito JHC não tem tratado do tema de forma ostensiva. Em recente encontro com cerca de 20 vereadores, realizado em sua residência, o assunto sequer foi mencionado. Caso exista alguma articulação do Executivo, ela ocorre de maneira discreta e sem exposição pública.

Ainda assim, vereadores não descartam mudanças de cenário de última hora. Uma eventual pressão mais direta do Executivo, poderia alterar o placar e aproximar o número de votos necessários para a reprovação.

Se permanecer assim, a sessão desta quinta deve ser marcada por discursos duros e tentativas de marcar posição política, mas o desfecho pode ser mais tranquilo do que o tom adotado nas redes sociais.

No fim das contas, o voto secreto — frequentemente criticado por reduzir a transparência — pode ser o elemento decisivo para evitar a reprovação das contas de Rui Palmeira. Um detalhe regimental que, neste momento, pode valer mais do que alianças formais ou discursos inflamados. Claro que Rui Palmeira vai precisar calibrar sua atuação, tanto no plenário quanto nos bastidores. Mas essa é outra história.