Política
Luciano Barbosa corre risco de perder seu maior poder, o de “barganha”
Como o xadrez para 2026 e a decisão de JHC podem isolar ou impulsionar o prefeito de Arapiraca
Que ninguém duvide das qualidades do engenheiro Luciano Barbosa. Gestor de mão cheia, bem avaliado no quarto mandato como prefeito de Arapiraca, ele sabe fazer política como poucos. É um jogador exímio. Se tiver forças suficientes, aniquila adversários. Blefa como poucos e quando necessário sabe lidar com os caciques.
Como moeda de troca, LB tem o comando da segunda maior cidade de Alagoas, com 153 mil eleitores. E o valor do capital que ele tem acumulado vai depender do “câmbio”. Se tiver “tempestade”, a procura é grande. Na calmaria, os “investidores” perdem o interesse.
A boa ou má notícia para Luciano Barbosa, no momento, depende de outro jogador – este imprevisível. Trata-se de João Henrique Caldas, o JHC. O atual prefeito de Maceió nunca foi aliado ou próximo de LB, mas seus passos são importantes para o “colega” da capital do agreste.
Explico: uma cartada de JHC pode dar a Luciano Barbosa um grande poder de barganha. A outra, pode tirar seu poder de dar as cartas nas eleições deste ano.
Em Arapiraca, o prefeito dá sinais claros de que permanecerá no cargo até o fim do mandato. Isso não significa distanciamento do processo eleitoral. Pelo contrário. Interlocutores apontam que ele está envolvido diretamente nas articulações para 2026, com foco nos projetos políticos dos filhos.
A principal frente de atuação é a tentativa de garantir a reeleição do deputado federal Daniel Barbosa. Diferentemente de 2022, quando surfou em um ambiente mais favorável, o desafio agora é considerado maior. Daniel não conseguiu ampliar suas bases eleitorais fora de Arapiraca e concentrou suas emendas parlamentares no município. A estratégia fortalece o vínculo local, mas limita a expansão regional, num cenário de disputa mais acirrada.
O quadro se complica com a movimentação da vice-prefeita Rute Nezinho. Rompida politicamente com Luciano, ela deve disputar vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD – o que pode dividir os votos em um espaço eleitoral que, até pouco tempo atrás, girava majoritariamente em torno do grupo do prefeito. E é tudo que ele não precisa neste momento.
Não é só. A leitura no meio político é que Luciano Barbosa também atua para viabilizar a candidatura do filho Lucas Barbosa a deputado estadual. Nos bastidores, a estratégia passa pela busca de chapas consideradas mais “acessíveis”, com menor densidade eleitoral. A lógica é reduzir o risco em uma disputa que promete ser uma das mais competitivas dos últimos anos.
E a concorrência, de fato, não será pequena. Arapiraca deve concentrar nomes de peso na disputa proporcional para a Assembleia Legislativa. Deputados como Breno Albuquerque e Ricardo Nezinho são candidatos naturais à reeleição. Soma-se a eles o ex-deputado Tarcísio Freire, que também se movimenta para retornar ao Parlamento estadual.
Em meio a esse cenário, de acordo com um interlocutor experiente da política alagoana, Luciano Barbosa estaria entre os mais interessados na construção de uma candidatura de oposição competitiva ao governo do Estado.
A razão? Quanto maior o nível de disputa na majoritária, maior o poder de barganha de líderes regionais.
“Se JHC não for candidato, Luciano fica em situação mais delicada, perde margem de negociação”, resume o interlocutor. Na prática, o espaço de articulação, a margem de manobra, do prefeito varia conforme o grau de competição tanto para o governo quanto para o Senado.
No Senado, Luciano já sinalizou apoio a Arthur Lira e Renan Calheiros – mas ainda não vestiu a camisa para entrar no jogo. Já na disputa pelo Palácio República dos Palmares, um embate direto entre Renan Filho e JHC ampliaria consideravelmente sua capacidade de negociação, abrindo espaço para acordos políticos, apoio estrutural e fortalecimento das bases eleitorais dos filhos.
Um cenário mais crítico poderia dar espaço até para a indicação da vaga de vice, que poderia ser destinada a Daniel. Sem JHC no jogo, o poder de barganha tende a encolher, podendo até desaparecer.
Enquanto o tabuleiro majoritário permanece indefinido, Luciano Barbosa segue jogando onde tem maior controle: na eleição proporcional.
A Prefeitura de Arapiraca, sua influência regional e os números da gestão são alguns dos seus trunfos. O sucesso da estratégia de Luciano Barbosa, no entanto, dependerá menos do desempenho local e mais do desenho final da eleição estadual.
Quando todas as cartas estiverem na mesa, quando todos os jogadores revelarem suas jogadas, LB saberá qual o tamanho do seu prêmio – podendo ir da negociação de bases proporcionais, indicação de vice-governador ou suplente de senador a nada.
Até lá, Luciano observa, cruza dos dedos, e mantém as apostas abertas a espera da cartada decisiva.


