Política

Luciano Barbosa corre risco de perder seu maior poder, o de “barganha”

Como o xadrez para 2026 e a decisão de JHC podem isolar ou impulsionar o prefeito de Arapiraca

Por Blog Edivaldo Júnior 18/01/2026 11h11
Luciano Barbosa corre risco de perder seu maior poder, o de “barganha”
Luciano Barbosa corre risco de perder seu maior poder, o de “barganha” - Foto: Reprodução

Que ninguém duvide das qualidades do engenheiro Luciano Barbosa. Gestor de mão cheia, bem avaliado no quarto mandato como prefeito de Arapiraca, ele sabe fazer política como poucos. É um jogador exímio. Se tiver forças suficientes, aniquila adversários. Blefa como poucos e quando necessário sabe lidar com os caciques.

Como moeda de troca, LB tem o comando da segunda maior cidade de Alagoas, com 153 mil eleitores. E o valor do capital que ele tem acumulado vai depender do “câmbio”. Se tiver “tempestade”, a procura é grande. Na calmaria, os “investidores” perdem o interesse.

A boa ou má notícia para Luciano Barbosa, no momento, depende de outro jogador – este imprevisível. Trata-se de João Henrique Caldas, o JHC. O atual prefeito de Maceió nunca foi aliado ou próximo de LB, mas seus passos são importantes para o “colega” da capital do agreste.

Explico: uma cartada de JHC pode dar a Luciano Barbosa um grande poder de barganha. A outra, pode tirar seu poder de dar as cartas nas eleições deste ano.

Em Arapiraca, o prefeito dá sinais claros de que permanecerá no cargo até o fim do mandato. Isso não significa distanciamento do processo eleitoral. Pelo contrário. Interlocutores apontam que ele está envolvido diretamente nas articulações para 2026, com foco nos projetos políticos dos filhos.

A principal frente de atuação é a tentativa de garantir a reeleição do deputado federal Daniel Barbosa. Diferentemente de 2022, quando surfou em um ambiente mais favorável, o desafio agora é considerado maior. Daniel não conseguiu ampliar suas bases eleitorais fora de Arapiraca e concentrou suas emendas parlamentares no município. A estratégia fortalece o vínculo local, mas limita a expansão regional, num cenário de disputa mais acirrada.

O quadro se complica com a movimentação da vice-prefeita Rute Nezinho. Rompida politicamente com Luciano, ela deve disputar vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD – o que pode dividir os votos em um espaço eleitoral que, até pouco tempo atrás, girava majoritariamente em torno do grupo do prefeito. E é tudo que ele não precisa neste momento.

Não é só. A leitura no meio político é que Luciano Barbosa também atua para viabilizar a candidatura do filho Lucas Barbosa a deputado estadual. Nos bastidores, a estratégia passa pela busca de chapas consideradas mais “acessíveis”, com menor densidade eleitoral. A lógica é reduzir o risco em uma disputa que promete ser uma das mais competitivas dos últimos anos.

E a concorrência, de fato, não será pequena. Arapiraca deve concentrar nomes de peso na disputa proporcional para a Assembleia Legislativa. Deputados como Breno Albuquerque e Ricardo Nezinho são candidatos naturais à reeleição. Soma-se a eles o ex-deputado Tarcísio Freire, que também se movimenta para retornar ao Parlamento estadual.

Em meio a esse cenário, de acordo com um interlocutor experiente da política alagoana, Luciano Barbosa estaria entre os mais interessados na construção de uma candidatura de oposição competitiva ao governo do Estado.

A razão? Quanto maior o nível de disputa na majoritária, maior o poder de barganha de líderes regionais.

“Se JHC não for candidato, Luciano fica em situação mais delicada, perde margem de negociação”, resume o interlocutor. Na prática, o espaço de articulação, a margem de manobra, do prefeito varia conforme o grau de competição tanto para o governo quanto para o Senado.

No Senado, Luciano já sinalizou apoio a Arthur Lira e Renan Calheiros – mas ainda não vestiu a camisa para entrar no jogo. Já na disputa pelo Palácio República dos Palmares, um embate direto entre Renan Filho e JHC ampliaria consideravelmente sua capacidade de negociação, abrindo espaço para acordos políticos, apoio estrutural e fortalecimento das bases eleitorais dos filhos.

Um cenário mais crítico poderia dar espaço até para a indicação da vaga de vice, que poderia ser destinada a Daniel. Sem JHC no jogo, o poder de barganha tende a encolher, podendo até desaparecer.

Enquanto o tabuleiro majoritário permanece indefinido, Luciano Barbosa segue jogando onde tem maior controle: na eleição proporcional.

A Prefeitura de Arapiraca, sua influência regional e os números da gestão são alguns dos seus trunfos. O sucesso da estratégia de Luciano Barbosa, no entanto, dependerá menos do desempenho local e mais do desenho final da eleição estadual.

Quando todas as cartas estiverem na mesa, quando todos os jogadores revelarem suas jogadas, LB saberá qual o tamanho do seu prêmio – podendo ir da negociação de bases proporcionais, indicação de vice-governador ou suplente de senador a nada.

Até lá, Luciano observa, cruza dos dedos, e mantém as apostas abertas a espera da cartada decisiva.