Política
Por que Lira não recua do Senado, mesmo com risco de derrota?
Se a eleição fosse realizada agora, interlocutores de diferentes grupos avaliam que o deputado enfrentaria dificuldades reais
O cenário para o Senado em Alagoas é desafiador para Arthur Lira. E não só para ele. Essa é hoje a leitura predominante nos bastidores.
Se a eleição fosse realizada agora, interlocutores de diferentes grupos avaliam que o deputado enfrentaria dificuldades reais para vencer a disputa – mesmo com duas vagas. Em diferentes levantamentos ele aparece em terceiro e chegou a aparecer até em quarto lugar, embora também tenha pontuado em segundo.
Ainda assim, ele não recua. Pelo contrário, mantém a pré-candidatura e prepara um grande ato político para o próximo dia 20, quando deve oficializar sua entrada na corrida.
A decisão não parece ser apenas na base do impulso. É cálculo. Lira pode até perder a eleição. Mas tende a manter o que já construiu. A lógica passa por um movimento que corre em paralelo: a candidatura do filho, Álvaro Lira, a deputado federal. Com base eleitoral consolidada e estrutura herdada do pai, ele aparece como um dos favoritos, com chances de figurar entre os mais votados do estado – provavelmente será o mais votado.
Se isso se confirmar, o grupo político de Lira continuará com presença forte na Câmara dos Deputados. Na prática, o deputado não sai do jogo. Muda de posição.
Permanece com influência em Brasília e em Alagoas, mesmo sem mandato próprio. Soma-se a isso o capital político acumulado ao longo dos anos, com forte capacidade de articulação no Congresso, trânsito no Judiciário e presença consolidada em diferentes esferas de poder.
Por isso, segundo aliados, Lira não teme uma eventual derrota. O risco existe. Mas o custo é menor. A comparação com outros nomes do cenário ajuda a entender.
Para JHC, uma candidatura ao governo ou ao Senado implica deixar a prefeitura. Em caso de derrota, ficaria sem mandato. Para Renan Calheiros, que disputa a reeleição, o risco é sair do Senado após quatro mandatos consecutivos. Para Alfredo Gaspar, atual deputado federal, a disputa também é de tudo ou nada.
Já Davi Davino Filho entra em outra condição. Não tem mandato. Não tem o que perder. Só a ganhar.
E Lira? Esse pode perder. E ainda assim manter espaço. Talvez por isso que não recua. Mas essa é outra história.


