Política

Porque até adversários querem ver JHC na disputa pelo governo?

Cada grupo, por razões distintas, torce para que ele entre na disputa.

Por Blog do Edivaldo Júnior 12/01/2026 09h09
Porque até adversários querem ver JHC na disputa pelo governo?
JHC - Foto: Edilson Omena

Poucos nomes da política alagoana concentram hoje tantas expectativas quanto o prefeito de Maceió, JHC. Sua eventual candidatura ao governo do Estado mobiliza aliados, adversários, profissionais de campanha e até quem opera nos bastidores do poder. Cada grupo, por razões distintas, torce para que ele entre na disputa.

O paradoxo é que, entre todos, JHC é o único que realmente tem muito a perder – ou melhor, o único que teria a perder com sua própria candidatura.

Entre os aliados, a torcida é quase uma necessidade política. Para quem pretende disputar cargos majoritários, especialmente o Senado, JHC virou o palanque mais valioso da oposição. É nesse grupo que se enquadram Alfredo Gaspar de Mendonça, Davi Davino Filho e Arthur Lira. Todos trabalham, em graus diferentes, com a hipótese de uma chapa em que JHC encabece o projeto ao governo, dando musculatura eleitoral às candidaturas ao Senado.

Sem um candidato competitivo ao Palácio República dos Palmares, essas pré-candidaturas correm o risco de perder densidade, de ficarem esvaziadas. Por regra, o eleitor tende a definir o voto em torno do nome que lidera a chapa majoritária. Ao que parece, e isso que os pretendentes a vaga de senador buscam: um nome capaz de atrair o eleitorado para o campo oposicionista.

O mesmo raciocínio vale para os candidatos proporcionais. Deputados federais e estaduais precisam de uma campanha forte ao governo para puxar votos, estruturar palanques regionais e criar narrativa política. JHC, nesse contexto, é visto como o principal nome disponível fora do grupo governista.

Mas há também quem queira JHC candidato por motivos opostos. Seus adversários torcem para que ele entre na disputa justamente para tentar derrotá-lo. Uma eventual derrota em 2026 poderia retirar o prefeito do circuito das grandes disputas por um longo período, enfraquecendo seus projetos futuros tanto para o governo quanto para o Senado. Se for para a disputa e perder, provavelmente JHC terá dificuldades em recompor a sua carreira.

Para quem não gosta de JHC, enfrentá-lo agora, mesmo que seja uma batalha dura, seria uma oportunidade de neutralizar um adversário perigoso.

Existe ainda um terceiro grupo, movido por interesses mais pragmáticos. O vice-prefeito Rodrigo Cunha e seu entorno, por exemplo, ganhariam quase três anos de mandato caso JHC renuncie para disputar o governo, com a possibilidade real de disputar a reeleição em 2028 já no comando da Prefeitura de Maceió.

No mesmo pacote entram marqueteiros, estrategistas e operadores de campanha: a entrada de JHC inflaciona a eleição, amplia orçamentos e eleva a relevância da disputa.

No tabuleiro do Senado, Marina Candia, mulher de JHC, aparece como uma espécie de plano B. Caso o prefeito decida permanecer na prefeitura, sua candidatura poderia manter o grupo no jogo majoritário, ainda que em outro formato.

No fim das contas, porém, o risco é concentrado em um só nome. JHC é o único que realmente tem algo grande a perder. Ao sair da prefeitura, abriria mão de quase três anos de mandato e correria o risco de ficar sem cargo eletivo. Além disso, poderia comprometer até mesmo o projeto de manutenção da vaga hoje ocupada por sua mãe, a senadora Eudócia Caldas.

Talvez por isso tenha escolhido a cautela. Ao avisar que só decidirá em abril, no limite do prazo, JHC tenta ganhar tempo para analisar o cenário. Enquanto isso, todos os demais seguem pressionando, cada um por suas próprias razões, para que ele faça a jogada que pode definir toda a eleição de 2026 em Alagoas.