Política
Porque até adversários querem ver JHC na disputa pelo governo?
Cada grupo, por razões distintas, torce para que ele entre na disputa.
Poucos nomes da política alagoana concentram hoje tantas expectativas quanto o prefeito de Maceió, JHC. Sua eventual candidatura ao governo do Estado mobiliza aliados, adversários, profissionais de campanha e até quem opera nos bastidores do poder. Cada grupo, por razões distintas, torce para que ele entre na disputa.
O paradoxo é que, entre todos, JHC é o único que realmente tem muito a perder – ou melhor, o único que teria a perder com sua própria candidatura.
Entre os aliados, a torcida é quase uma necessidade política. Para quem pretende disputar cargos majoritários, especialmente o Senado, JHC virou o palanque mais valioso da oposição. É nesse grupo que se enquadram Alfredo Gaspar de Mendonça, Davi Davino Filho e Arthur Lira. Todos trabalham, em graus diferentes, com a hipótese de uma chapa em que JHC encabece o projeto ao governo, dando musculatura eleitoral às candidaturas ao Senado.
Sem um candidato competitivo ao Palácio República dos Palmares, essas pré-candidaturas correm o risco de perder densidade, de ficarem esvaziadas. Por regra, o eleitor tende a definir o voto em torno do nome que lidera a chapa majoritária. Ao que parece, e isso que os pretendentes a vaga de senador buscam: um nome capaz de atrair o eleitorado para o campo oposicionista.
O mesmo raciocínio vale para os candidatos proporcionais. Deputados federais e estaduais precisam de uma campanha forte ao governo para puxar votos, estruturar palanques regionais e criar narrativa política. JHC, nesse contexto, é visto como o principal nome disponível fora do grupo governista.
Mas há também quem queira JHC candidato por motivos opostos. Seus adversários torcem para que ele entre na disputa justamente para tentar derrotá-lo. Uma eventual derrota em 2026 poderia retirar o prefeito do circuito das grandes disputas por um longo período, enfraquecendo seus projetos futuros tanto para o governo quanto para o Senado. Se for para a disputa e perder, provavelmente JHC terá dificuldades em recompor a sua carreira.
Para quem não gosta de JHC, enfrentá-lo agora, mesmo que seja uma batalha dura, seria uma oportunidade de neutralizar um adversário perigoso.
Existe ainda um terceiro grupo, movido por interesses mais pragmáticos. O vice-prefeito Rodrigo Cunha e seu entorno, por exemplo, ganhariam quase três anos de mandato caso JHC renuncie para disputar o governo, com a possibilidade real de disputar a reeleição em 2028 já no comando da Prefeitura de Maceió.
No mesmo pacote entram marqueteiros, estrategistas e operadores de campanha: a entrada de JHC inflaciona a eleição, amplia orçamentos e eleva a relevância da disputa.
No tabuleiro do Senado, Marina Candia, mulher de JHC, aparece como uma espécie de plano B. Caso o prefeito decida permanecer na prefeitura, sua candidatura poderia manter o grupo no jogo majoritário, ainda que em outro formato.
No fim das contas, porém, o risco é concentrado em um só nome. JHC é o único que realmente tem algo grande a perder. Ao sair da prefeitura, abriria mão de quase três anos de mandato e correria o risco de ficar sem cargo eletivo. Além disso, poderia comprometer até mesmo o projeto de manutenção da vaga hoje ocupada por sua mãe, a senadora Eudócia Caldas.
Talvez por isso tenha escolhido a cautela. Ao avisar que só decidirá em abril, no limite do prazo, JHC tenta ganhar tempo para analisar o cenário. Enquanto isso, todos os demais seguem pressionando, cada um por suas próprias razões, para que ele faça a jogada que pode definir toda a eleição de 2026 em Alagoas.


