Política

CPI ouve nesta quarta ex-diretor da Saúde acusado de pedir propina por vacina

Denúncia foi feita pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti

Por Redação com O Globo 07/07/2021 08h08
CPI ouve nesta quarta ex-diretor da Saúde acusado de pedir propina por vacina
Roberto Dias, Ex-Diretor de Logística em Saúde do Ministério da Saúde - Foto: Anderson Riedel/PR

A CPI da Covid ouvirá nesta quarta-feira o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, exonerado logo após se tornar pública a denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Ele nega a acusação.

A denúncia foi feita pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, com sede nos Estados Unidos. Em depoimento à CPI, ele afirmou ter recebido um pedido de propina para a compra de 400 milhões de doses do imunizante. Segundo Dominghetti, Dias teria cobrado US$ 1 por dose.

Apontado como indicação do deputado Ricardo Barros (PP-PR) e do ex-deputado Abelardo Lupion, Dias é considerado peça-chave para desvendar detalhes de denúncias dos dois supostos esquemas de propina na compra de vacina pelo Ministério da Saúde, envolvendo as doses da AstraZeneca oferecidas por Luiz Dominghetti e a indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech, o imunizante mais caro negociado pelo governo até agora.

As negociações para aquisição da Covaxin são investigadas pela CPI da Covid, pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Além de ouvir Dias, a CPI da Covid deve votar nesta quarta 60 requerimentos -- entre eles o de convocação de Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro. O pedido é assinado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão.

Em uma gravação divulgada pelo site UOL, Andrea acusa Bolsonaro de envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos conhecido como “rachadinha” quando foi deputado. O advogado Frederick Wassef, que representa o presidente, nega as acusações

No requerimento, Renan afirma que "a pessoa convocada tem ligação direta com suspeitas de crimes investigados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, envolvendo o presidente da República e seus filhos. Além disso e intimamente ligadas ao objeto desta CPI, há notícias de que as indicações de ocupantes para posições, cargos e funções estratégicos no Ministério da Saúde e outras posições no combate à pandemia seriam feitas pelo presidente da República, por seus filhos e pessoas próximas a eles, em sua maioria, por meio da senhora Andrea Siqueira Valle”.