Eleições 2026

Lactante relata constrangimento ao votar no Cepa, em Maceió

Mãe de uma bebê de quatro meses, Marcela contou que foi orientada por funcionários do local a permanecer na fila comum caso não estivesse acompanhada da filha

Por Redação 04/10/2026 17h05
Lactante relata constrangimento ao votar no Cepa, em Maceió
Lactante denuncia constrangimento - Foto: Reprodução

Uma situação envolvendo o direito de prioridade de lactantes durante a votação foi relatada pela jornalista e criadora de conteúdo Marcela Sampaio neste domingo (4), em uma seção eleitoral no Cepa, no bairro do Farol, em Maceió.

Mãe de uma bebê de quatro meses, Marcela contou que foi orientada por funcionários do local a permanecer na fila comum caso não estivesse acompanhada da filha. Segundo ela, ao informar que era lactante e solicitar atendimento prioritário, foi questionada sobre a presença da criança.

A jornalista afirmou que explicou que a bebê estava dormindo dentro do carro e que, mesmo assim, teria direito à preferência por ser lactante. De acordo com o relato, uma funcionária deixou o local para consultar a organização da votação e, posteriormente, um responsável informou que a orientação recebida era de que a criança precisava estar no colo da mãe.

Marcela disse que a situação foi novamente consultada, mas a resposta não mudou. “A orientação que recebemos é que o bebê precisa estar no colo”, relatou.

Diante disso, ela retornou ao carro para buscar a filha. Segundo a jornalista, o episódio a deixou abalada e provocou mal-estar. “Eu fui pegar a minha bebê revoltada. Fiquei tão chateada, constrangida, humilhada, até, que passei mal”, afirmou.

Marcela também relatou que levou documentos que poderiam comprovar a condição de mãe da criança, incluindo a certidão de nascimento, além de registros da legislação sobre a prioridade. Segundo ela, nenhum dos documentos foi solicitado pelos responsáveis pela seção.

A legislação eleitoral estabelece a preferência de lactantes na fila de votação. Conforme a Resolução TSE nº 23.759/2026, lactantes estão entre os grupos com prioridade para votar. A norma também diferencia “lactantes” de “pessoas com crianças de colo”.

O Tribunal Superior Eleitoral também inclui lactantes entre as pessoas que têm preferência no atendimento durante as eleições e prevê mecanismos de atendimento prioritário para esse grupo.

Procurado para esclarecer o caso, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas confirmou que a condição de lactante garante a prioridade prevista na legislação, independentemente da presença da criança. A orientação dada no local de votação, segundo o relato apresentado, teria considerado necessária a presença da bebê no colo para o reconhecimento da preferência.

Após divulgar o episódio, Marcela afirmou ter recebido mensagens de outras mães que relataram situações semelhantes durante a votação. Ela também informou que pretende buscar os meios legais para registrar a ocorrência.

O caso reacendeu a atenção para a orientação dada aos integrantes das mesas receptoras de votos. Segundo as regras eleitorais, o presidente da mesa é responsável por solucionar dúvidas e dificuldades que surgirem durante os trabalhos da seção.

Marcela espera que a situação seja esclarecida antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro nas localidades onde houver necessidade de nova votação, para evitar que outras mulheres lactantes enfrentem constrangimentos semelhantes.