Polícia
Pedido de socorro levado por criança à escola revela caso de cárcere privado
Mulher de 22 anos relatou ameaças e agressões ao marido em bilhetes entregues pelo filho a funcionários da unidade de ensino
Um pedido de ajuda escrito em bilhetes e levado por uma criança até a escola ajudou a revelar um caso de cárcere privado em Gongogi, no sul da Bahia. A mãe do aluno, de 22 anos, relatou que estava impedida de sair de casa e sofria ameaças e agressões do marido.

“Estou escrevendo para pedir ajuda mais uma vez, porque estou que não aguento mais”, escreveu a mulher em uma das mensagens. Segundo as informações repassadas à polícia, os pedidos foram entregues pelo filho mais velho, de sete anos, a profissionais da unidade de ensino.
Em outro trecho, a vítima relatou que recebia ameaças de morte e afirmou que o marido dizia que poderia matá-la caso ela deixasse a residência. Ela também contou que era impedida de manter contato com familiares.
A mulher e o suspeito são pais de duas crianças, de sete anos e um ano e dois meses. De acordo com a investigação, os dois estavam juntos havia cerca de oito anos, desde quando a vítima tinha aproximadamente 13 anos. Ao longo desse período, segundo o relato dela, as agressões e ameaças teriam se tornado frequentes.
Os bilhetes foram fundamentais para que a situação chegasse às autoridades. De acordo com o delegado Rodrigo Fernando de Souza, dois pedidos de socorro foram encaminhados à escola antes que a polícia fosse acionada.
Além dos textos, a mulher também fez um desenho em que aparece uma pessoa ajoelhada e chorando, reforçando o pedido de ajuda.
Depois de tomar conhecimento do conteúdo das mensagens, um funcionário da escola entrou em contato com a Polícia Militar. Os agentes passaram a observar a residência e perceberam que a mulher, de fato, não costumava deixar o imóvel.
Com as informações reunidas durante a apuração, a Justiça autorizou a prisão do suspeito. O mandado foi cumprido pela polícia na quarta-feira (2), e o homem foi encaminhado para uma unidade policial.
Ele permanecia preso nesta quinta-feira (3) e deveria passar por audiência de custódia. O nome do suspeito não foi divulgado pelas autoridades.
O caso continua sendo investigado pela polícia, que busca esclarecer as circunstâncias das denúncias e os episódios de violência relatados pela vítima.
