Polícia
AL terá 30 delegadas em força-tarefa contra violência à mulher
O anúncio do programa Alagoas por Elas foi feito pelo governador Paulo Dantas e ocorre após a maior expansão do quadro de delegados da história recente do Estado
Alagoas vai colocar 30 delegadas da Polícia Civil numa força-tarefa específica para o enfrentamento à violência contra a mulher. O anúncio do programa Alagoas por Elas foi feito pelo governador Paulo Dantas e ocorre após a maior expansão do quadro de delegados da história recente do Estado e diante de um desafio que ainda preocupa: Alagoas registrou 30 feminicídios em 2025, contra 22 no ano anterior, crescimento de 36,3%, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.
A proposta é aumentar a capacidade de investigação e acelerar a resposta aos casos de violência doméstica e familiar. “Nós teremos 30 delegadas mulheres para combater crimes contra as mulheres alagoanas. Fizemos uma reunião muito exitosa para lançar o programa Alagoas por Elas, trazendo mais resolutividade, eficiência e colocando o bandido na cadeia”, afirmou Paulo Dantas.
O governador relacionou a nova força-tarefa à estrutura que vem sendo montada na segurança pública. “É essa Alagoas que nós queremos, que reúna todas as condições de infraestrutura, tecnologia, inovação, pessoal, inteligência e integração para combater efetivamente a bandidagem”, disse.
O reforço ocorre depois de uma expansão expressiva do quadro da Polícia Civil. Em fevereiro de 2025, Paulo Dantas nomeou 50 novos delegados, com a proposta de aumentar a agilidade das investigações e da elucidação de crimes. Em julho deste ano, outros 83 delegados foram empossados para atuar na capital e no interior. Somadas, são mais de 130 incorporações em menos de dois anos.
A delegada Ana Luiza Nogueira, que atua na área de proteção às mulheres, afirma que o Alagoas por Elas terá como foco justamente aumentar a capacidade de resposta da Polícia Civil. “O objetivo é a garantia de mais eficiência e celeridade nas investigações criminais, bem como incremento da atuação repressiva, colocando agressor de mulher atrás das grades”, afirmou.
Mais de 2,6 mil prisões
O tamanho do desafio aparece também nos números da atuação policial. Segundo dados divulgados pelo Governo de Alagoas, mais de 2,6 mil homens foram presos em 2025 por violência doméstica e feminicídio, em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais.
Os dados de feminicídio, no entanto, mostram que o problema permanece grave. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o número de vítimas passou de 22, em 2024, para 30 em 2025, alta de 36,3%.
Em 2026, os números começaram a apresentar sinais diferentes. Abril terminou sem registro de feminicídio e Alagoas chegou a permanecer mais de dois meses sem casos, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública.
O secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, atribui os resultados recentes à ampliação da estrutura de combate à criminalidade. Segundo ele, foram mais de R$ 830 milhões investidos em viaturas, helicópteros, tecnologia, videomonitoramento com reconhecimento facial e 19 Centros Integrados de Segurança Pública.
“Essa transformação não aconteceu por acaso. Foi construída com planejamento, investimento e o apoio irrestrito do governador Paulo Dantas, que fez da segurança pública uma prioridade de Estado”, afirmou Saraiva.
O secretário também anunciou novos equipamentos que terão atuação relacionada à proteção das mulheres, entre eles o CISP da Mulher, além da Delegacia da Criança e do Adolescente, Centro de Treinamento das Forças de Segurança, novos blindados e equipamentos.
O que muda com 30 delegadas
A criação da força-tarefa pode ampliar a capacidade da Polícia Civil de conduzir inquéritos, representar por prisões e medidas cautelares, acelerar investigações e atuar de maneira integrada na identificação de agressores.
A iniciativa ganha peso porque a violência doméstica tem uma característica diferente de boa parte dos demais crimes: muitas vezes existe uma sequência de ameaças e agressões antes de um caso chegar ao feminicídio. A rapidez da investigação, a prisão de agressores e o cumprimento das medidas de proteção podem ser decisivos para interromper esse ciclo.
O programa também representa um primeiro efeito da ampliação recente do quadro de delegados. Com mais profissionais disponíveis, a Polícia Civil passa a ter condições de direcionar efetivo para áreas específicas sem retirar completamente a capacidade de investigação de outras delegacias.
O próximo passo será saber como as 30 delegadas serão distribuídas entre Maceió e o interior, quais delegacias receberão reforço, como funcionará a integração com a rede de proteção e quais metas serão estabelecidas para medir os resultados do Alagoas por Elas.
